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Watchmen (HBO) | O salto para o presente

Caro fã de quadrinho, série ou filmes geeks. É fato que você ao menos uma vez na vida tenha consumido algo que tinha como cerne uma história de super-herói, que salvava a cidade de todo o perigo e tinha uma mocinha ao seu lado, certo? Primeiro de tudo, é muito importante dizer para quem ainda não sabe que Watchmen está longe disso.

Com uma história iniciada na HQ de Alan Moore e Dave Gibbons, conhecíamos a história de um grupo de mutantes ou super dotados como queira, que lutavam contra o crime e as mazelas de uma sociedade corrupta, racista e preconceituosa, sempre lidando cada um com suas imperfeições e problemas sociais que todos nós temos. Ora ora, parece que estamos lidando com uma história cada vez mais atual.

Pois bem, Watchmen em sua essência é isso. Mas adaptações que surgiram com os tempos sendo a mais famosa a de Zack Snyder para o cinema, deram um tom mais aventuresco e de filme de super-herói para Coruja, Rorscharch, Ozymandias e Dr. Manhattan. Damon Lindelof (“Lost”) pegou o desafio de lidar com esse universo, mas mostrando através de um outro olhar.

Até então nós só conhecíamos seja pela HQ ou seja pelo filme, tudo o que acontecia até o dia do juízo final protagonizado pelo Dr. Manhattan, responsável por acabar com a Guerra Fria, e sendo culpado por Ozymandias pela destruição de toda a Terra. Pois bem, mas o que acontece no universo depois desse evento cataclísmico? Bem vindos a versão da HBO de Watchmen!

Mexer com um mundo que até então não tínhamos visto tem seus prós e contras. É positivo porque Damon Lindelof pode dar sua cara a personagens que até então não conhecíamos, criando para si próprio um novo mundo, mas contrário a tudo isso estava a necessidade de seguir a risca referências e ter a sublime capacidade de encaixar os personagens icônicos da HQ nesse mesmo contexto. Eu jamais imaginaria da forma que foi feito, mas o que me mostraram foi esplêndido.

A sociedade vive como se os personagens que já conhecemos fossem lendas ou referências do passado, como a seita racista que tem como pilar a máscara de Rorscharch, ou as cabines telefônicas que supostamente mandam mensagens a Dr. Manhattan em Marte.

O ponto da série se tornar genial nem é tanto o momento histórico em Watchmen que isso se encaixa, mas sim quais elementos que o roteiro optou por trabalhar. Regina King é a dona da série, e tudo que é de mais importante até a resolução final passa por ela. A atriz já fez papéis espetaculares e Watchmen só provou mais uma vez seu potencial.

A série aborda de forma escancarada o racismo e a intolerância de uma sociedade marginalizada, que vive na base do crime motivado principalmente por uma gangue sucessora do KKK. Pois bem, se você queria uma história que misturasse política com problemas sociais, essa é sua história.

Alheio a isso, o mundo ainda sofre das consequências da catástrofe motivada por Dr. Manhattan no passado, e por conta disso vive de forma atrasada comparada com nosso mundo atual, mesmo que em anos muito próximos. Todo o figurino e roupagem da série acompanham esse movimento, dando um ar meio anos 80 para momentos que se passam na atualidade.

Em questão de atuações, ressalto novamente que Regina King como Angela é o auge do auge na série, mas sem deixar passar despercebida a atuação de Jeremy Irons como Adrian Veidt, ou melhor dizendo, Ozymandias. Impecáveis performances cada qual a sua maneira, com a seriedade e determinação de Angela na sociedade moderna, a Ozymandias em sua insanidade enclausurada, permeada pelos planos incansáveis da dominação mundial.

A fotografia da série sem sombra de dúvidas é uma das coisas mais belas feitas para a TV em 2019. Há um episódio específico que a personagem de Regina King flutua entre os tempos, e as cores vão percorrendo a tela junto com a cabeça da personagem, passando pelos anos, indo até a sua infância e voltando para a vida adulta. Sem falhas, com uma montagem maravilhosa, arrisco dizer que “She Was Killed By Space Junk” merece um prêmio de melhor episódio num futuro Emmy.

A trilha sonora da série só me dá mais felicidade quando lembro. Mesclando blues, jazz e música clássica, torna a ambientação de Watchmen ainda mais fascinante do que já é. Veja algumas músicas:

Sem sombra de dúvidas, Damon Lindelof fez mais uma vez história na TV. Depois do fenômeno Lost, aceitou o desafio de pegar uma trama amada por muitos e fazer uma releitura extremamente necessária para os tempos atuais. Que se mordam os críticos e a geração Nutella, mas Watchmen veio para fazer história.

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