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The Walking Dead | Review | S09E10 – Ômega

As vezes algumas lembranças do passado, aquelas de quando éramos crianças, ficam com alguns buracos, que são preenchidos com nossa imaginação, com depoimentos de outras pessoas ou simplesmente com a nossa vontade do que queríamos que houvesse acontecido. Aquele ditado, uma mentira repetida muitas vezes, se torna verdade.

E é com essa premissa que acompanhamos a principal trama de Ômega, o décimo episódio da 9 temporada de The Walking Dead. Lydia, que chegou a Hilltop como prisioneira, mostra que tem muitas camadas. A garota, apesar de integrar os Sussurradores, parece não concordar, nem se adaptar de maneira natural ao grupo.

Com basicamente dois núcleos durante todo o episódio, ambos em Hilltop, o arco de Lydia teve Daryl e Henry dividindo suas lembranças, às vezes confusas, mas que de algumas formas criava uma empatia com os 2 sobreviventes. Henry, com a burrice de sempre, já estava dando todas as dicas para uma possível invasão ao Reino e quase tomou uma martelada. Já Daryl se faz de durão, mas no fundo é só vítimas das situações que foi colocado.

Além disso, todos os flashbacks da Lydia nos levaram ao sentimento das 2 primeiras temporadas, quando não se entendia nada. Ela aparentemente com 5 ou 6 anos, vendo como o mundo se desenvolvia. Ora confundia a figura paterna com a materna, a proteção com a repreensão. Tudo era uma bagunça em sua cabeça.

A imagem da barba raspada do pai, outras horas o cabelo raspado da mãe, a mudança da tatuagem de seu nome entre eles e a mudança brusca de temperamento de ambos nos emergia em seus sonhos, fazendo que a confusão ultrapassasse a tela e chegasse a nossa cabeça. Essa menina era perturbada.

O roteiro, todo psicológico, propositalmente nos colocava no lugar de Lydia, como se ela tentasse justificar seu pai, ou como entendemos depois, sua mãe por tudo de mau que poderia ter feito. O choro do bebê foi o gatilho, sua mãe era a culpada.

Aliás, a Alpha, que apareceu nos últimos minutos, foi construída apenas em cima de lembranças e já deu pra entender a sua força. Ela já era sangue nos olhos quando o Rick ainda era aprendiz. Estava aí um confronto que seria bem divertido (e porque não assustador) de ser assistido. Uma pena.

As camadas adicionadas a relação entre mãe e filha, deram a entender a relação de medo, respeito entre as duas. O mundo foi duro com todos, mas algumas pessoas já eram duras bem antes de qualquer vírus. Ansioso para o desenvolver dessa relação.

Mas e o outro núcleo? Me desculpem, mas a turma da Magna, é bem confusa, apesar de interessante. Eles querem estar juntos, fazem promessas e tudo mais, mas na primeira oportunidade se separam, sem olhar pra trás. Não faz sentido algum.

Ainda bem que  Alpha chegou, já tava chato esse negócio de grupo de buscas.

Pensem, o Eugene se perdeu, saiu um grupo de buscas com Jesus e Aaron atrás dele. Eles não voltaram. Aí sai um grupo de buscas com Daryl, Michonne e cia atrás do grupo de buscas. Eles não voltaram. Aí sai um grupo de buscas, pra buscar um grupo de buscas, que saiu atrás de um grupo de buscas pra salvar o Eugene. Adivinhem só? Foram capturados. E aí sai o grupo da Magna pra fazer buscas. Porra, tá mais do que certo, que grupos de buscas não funcionam em The Walking Dead.

Ao fim, o episódio teve diálogos muito bons, com um ritmo não muito intenso, mas serviu pra nos preparar pro que vai vir. Incrível como nem sempre é necessário a ação para um bom episódio. O bom roteiro, a trilha e as atuações entregaram o suspense e o drama necessários para não descolar os olhos da tela.

Os sussurradores finalmente chegaram e todo o clima de terror já foi implantado. Mais um bom episódio, vocês têm minha atenção novamente.

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Neto Sambora
Nerd e Publicitário da cidade do sanduíche. Amo chocolate, hambúrguer, Coca-Cola zero (sim, sou estranho!) e tudo que o Mark Millar escrever. Não me julguem, mas conheci Star Wars com o Ameaça Fantasma e sou fã do Nicholas Cage!