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Stranger Things 3 | Pronta pra acabar?

Stranger Things 3

Stranger Things se tornou aquela série fenômeno em que a cada nova temporada todo mundo para pra assistir. As crianças de Hawkins se tornaram nossos amigos, e ficamos contando os dias para jogar Dungeons & Dragons com eles novamente.

Se a segunda temporada trouxe um ar mais sombrio e adulto para a série, a terceira temporada eleva ainda mais a faixa etária, principalmente com o crescimento dos personagens que deixaram de ser meras crianças e já formam pares românticos.

A química entre os atores é a melhor coisa de Stranger Things, e mesmo no mar de referências que a série costuma trazer relacionados aos anos 80, pessoas de qualquer idade conseguem se relacionar aos personagens, pela sua excelente construção e carisma.

Infelizmente, o roteiro da terceira temporada abusa desse quesito, e as vezes exagera ao tentar trabalhar mais o relacionamento entre as personas que a resolução dos problemas, criando uma trama arrastada e que soa preguiçosa no meio da temporada. De 8 episódios, apenas 5 são extremamente cruciais para o desenrolar da trama, enquanto o meio formado pelos episódios 3, 4, e 5, ficam com algumas migalhas de coisas que são realmente úteis.

Na temporada passada era notável a diferença dos episódios dirigidos e escritos pelos irmãos Duffer, nesse temporada a direção dos episódios ficou mais equilibrada, mas, os episódios que não são escritos por eles são justamente os que perdem a mão no ritmo da trama, ou tem alguma falha de narrativa.

Falando ainda do roteiro, é incrível a quantidade de referencias que os fãs do terror vão pegar. desde O Dia dos Mortos, do mestre George Romero, à Bolha Assassina, e claro, o já inspirado nas outras temporadas, H. P. Lovecraft. A trama do Devorador de Mentes, e toda a questão do mundo invertido continua sendo usada, e infelizmente é mais previsível do que deveria.

Uma coisa que não posso deixar de citar, é o discurso de empoderamento feminino que a série faz durante essa temporada. Não um discurso piegas e panfletário, mas aquele que mostra na prática o girl power, e não faz isso em detrimento dos personagens masculinos, apesar de algumas piadas exageradas.

A trilha sonora musical desse ano não tem o mesmo brilho dos anos anteriores, mas a trilha sonora original acerta bastante em momentos de tensão e suspense. A fotografia segue impecável, e os efeitos especiais se superaram nesse terceiro ano. Tem algumas cenas grandiosas envolvendo efeitos especiais, e está melhor do que a maioria dos filmes que assisti nos últimos dias.

Stranger Things 3 traz muitas mudanças para o núcleo principal da série, apresenta novas personagens que cumprem bem o seu papel, e seu longo episódio final encerra o arco de muitos personagens de maneira quase definitiva. Espero que esse seja um movimento de renovação, já que a cena pós créditos garante que haverá uma próxima temporada.

Uma pena que acertar em quase tudo e errar no ritmo faz com que uma das séries mais gostosas de se assistir se transforme em algo trabalhoso. Talvez assistir aos poucos, sem pressa para terminar, deixe as coisas mais suaves para o espectador.

Avaliação

Roteiro5.5
Direção6
Fotografia/Direção de Arte8.5
Efeitos Especiais8.5
Trilha Sonora7.5
Montagem6
7

Resumo

É verão em Hawkins. De férias da escola, Eleven (Millie Bobby Brown), Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo), Lucas (Caleb McLaughlin), Will (Noah Schnapp) e Max (Sadie Sink) aproveitam as novidades do recém inaugurado shopping da cidade, enquanto experienciam situações típicas da adolescência que colocam a prova a amizade do grupo. Mas quando a cidade volta a ser ameaçada por inimigos novos e antigos, eles precisam lembrar que a união é mais forte que o medo.

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Bruno Sena
Campeão dos 100M rasos em séries da Netflix. Fã de quadrinhos, principalmente do Superman. Carioca, curte uma cerveja gelada no fim de semana, enquanto prepara seu plano de dominação mundial.