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Stalker | Resenha

Fazia muito tempo que não pegava um livro que me dava vontade de ligar para os meus amigos pra falar sobre ele (e eu fiz isso mesmo, desculpa meninos!). A verdade é que, se juntar todos os áudios, eu devo ter gravado uma hora falando sobre ele.

Logo nas primeiras páginas já não sabia mais o que era doideira dela e o que era verdade. Em alguns momentos achava que ela era assim porque o ex-marido era emocionalmente abusivo, mas aí acontecia alguma coisa e passava a achar que ela sempre foi doida e era tudo fruto da imaginação dela.

Fig Coxbury é uma mulher de 30 e poucos anos que apresenta quadro de personalidade paranóide. Anos após perder seu bebê em um aborto espontâneo, Fig jura ter encontrando a criança que seria seu bebê. O problema? Ela já tem uma mãe (é claro).

Jolene, Darius e Mercy Moon são o retrato da família perfeita. Possuem a vida que Fig anseia ter, e é assim que ela se transforma em uma Stalker e passa a fazer de tudo para ser parte do dia-a-dia dessa família, ou melhor, se tornar Jolene!

O livro é dividido em 3 partes, uma narrada por Fig (A Psicopata), uma por Darius (O Sociopata) e o fim por Jolene (A Escritora). E é por conta dessas narrativas que vamos descobrindo cada vez mais as amarras dessas história.

Fig é uma personagem complexa, não tem uma escolha que ela faça sem ter pensando na consequência dos seus atos. Ela é obsessiva, tem uma natureza humana deturpada e está cheia de intenções negativas. Tudo isso ainda está atrelado a atitudes assustadoras, como perseguir a família em locais públicos, montar campana na frente da casa deles e finalmente, a compra da casa vizinha.

Durante a narrativa, vemos Fig se infiltrar cada vez na vida deste casal, e assim, além de desejar ter a criança para si, Fig passa a buscar se transformar em Jolene (a quem ela chama de mãe desnaturada). Vemos como ela passa a copiar todas as coisas como cabelo, feed no Instagram, perfume e até mesmo a decoração da casa.

Tranquei a porta e fui até a casa dos Avery calçando a minha melhor sapatilha, e com o chaveiro pendurado no dedo, sentindo-me leve como havia meses não acontecia. Era como se o universo estivesse desabrochando como uma flor e me recompensando por todo o sofrimento que eu enfrentara. Minha vez chegará enfim, e eu não deixaria nada me deter.

Darius é um cretino (desculpa te dar esse spoiler), ele é machista, manipulador e, conforme o titulo, um sociopata. O marido de Jolene é um psicólogo que abusa das fraquezas emocionais de suas pacientes, não satisfeito ele também manipula sua esposa para que ela sempre se sinta culpada por suas decisões, o escroto, ainda mantém um iPad vinculado ao celular da esposa para ler cada uma de suas mensagens. Além disso ele é um traidor, egocêntrico e egoísta. Detestei o Darius e até esperei um final cruel pra ele, mas ele não veio (#chateada)

O personagem diagnosticara Fig desde o início, porém não fazia grandes esforços para afasta-la de sua família, a situação fica ainda mais absurda quando ele começa a desenvolver uma amizade com ela. Acho que Darius foi o único que nunca foi manipulado pela Fig, ele mesmo fazia isso.

No meu consultório, eu lia no iPad uma conversa entre a Fig e minha mulher. Era como um reality de TV. Não dava para prever o que iria acontecer, nem quem diria o quê.

Jolene é a vítima de tudo isso, ela ama sua família e também sua carreira como autora. Sua qualidade, também é seu defeito, ela é o tipo de pessoa que quer ajudar os que estão precisando e é por se preocupar demais com Fig que ela não percebe suas intenções e acaba considerando tudo apenas admiração comum de amiga. É interessante ver a evolução da personagem no fim, quando ela finalmente se dá conta do que está acontecendo.

Será que ela acreditava que a Mercy era filha dela? Só agora me ocorreu que a Fig, em algum momento, passara a delirar. Eu não conseguia entender. Como ela conseguiu esconder uma coisa dessas por tanto tempo? Nós éramos amigas.

Stalker traz uma narrativa com excelentes personagens, que apresentam características psicológicas reais e que garantem bons momentos da trama recheada com jogos de mentiras, manipulação e obsessão. Você sempre espera o próximo passo de Fig, qual a próxima mentira que será contada e se ela sequestrará Mercy em algum momento.

O ponto forte do livro é ter exposto a história por diferentes pontos de vista. O ponto fraco, porém, é o esquecimento de Mercy ao longo da história, a obssesão de Fig parecer ser transferida para Jolene e não mais para ter sua filha “de volta”.

O desfecho pode não ser surpreendente, mas me arrepiou. Fiquei tão entretida com a leitura que simplesmente esqueci que era baseada em fatos reais (a informação está na descrição do livro), quando isso é revelado no final, foi como um choque.

Novamente a Faro Editorial entrega uma diagramação primorosa. Para Stalker a editora apostou no em tons frios. A capa possui verniz localizado e traz em sua contracapa o que imagino ser a casa de Fig. A fonte tem um bom tamanho que facilita a leitura.

Gostou da resenha? Pretende ler o livro? Conta pra gente nos comentários!
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Avaliação

Enredo9
Personagens10
Diagramação10
Acabamento10
9.8

Resumo

Tarryn Fisher | 256 páginas | 2018 | Faro Editorial

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Bia Lourenço
Bia Lourenço, paulistana, formada em Design Digital e Pós-Graduada em Eventos. Apaixonada por Harry Potter, Mulher-Maravilha, Batman, Sakura Cardcaptors, Turma da Mônica e Star Wars. Autora no blog www.biialou.com