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Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco (Netflix) | Review

Cavaleiros do Zodíaco

A reimaginação de Cavaleiros do Zodíaco da Netflix foi anunciada com furor pelos fãs de um anime tão clássico e amado, mas acabou deixando um gosto amargo após o primeiro trailer com o visual em computação gráfica 3D, e mudanças importantes no núcleo protagonista. Felizmente, a nova versão é muito mais do que texturas baratas.

“Quando as forças do mal ameaçam a terra, os cavaleiros de Athena surgem para proteger a humanidade.”

Enredo

A reimaginação de Cavaleiros do Zodíaco trás mudanças grandes no enredo da série, ignorando os acontecimentos do anime que estamos acostumados, e focando em adaptar a trama a partir mangá original. Dessa vez, Mitsumasa Kido não encontra Athena e Aioros sozinho, ele tem um colega de trabalho que acaba se tornando o vilão desse início de temporada. Essa mudança ocasiona em várias ramificações da trama original, que por mais fiel que seja ao conceito dos cavaleiros de bronze e seus destinos, muda completamente a trama pré saga do santuário.

Os cavaleiros do zodíaco agora são tratados como mitos e lendas da humanidade, e com isso, o torneio galático acorre de maneira clandestina e escondida do resto do mundo. Isso deixa as coisas mais realistas, se comparado com o original, principalmente por resolver uma questão bem importante do passado: Como os humanos lidam com as divindades, e com o fato de terem seres com poderes sobrenaturais? Bem, aqui é bem simples, ninguém sabe que eles existem.

Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco

No geral, mesmo com essa mudança no núcleo antagonista, criando essa rixa com o antigo colega de Mitsumasa Kido, a trama segue os acontecimentos originais e retrata até mesmo as mesmas lutas e embates entre os cavaleiros durante a Guerra Galática.

Trilha Sonora e Dublagem

Trazendo uma versão em inglês de Pegasus Fantasy, cantado por uma banda britânica ligeiramente conhecida, a The Struts, é difícil não se empolgar ao ouvir os conhecidos acordes da canção. Senti falta de uma versão brasileira, como fazíamos com as canções do anime clássico, mas ainda é legal ver que tiveram o cuidado de manter algo tão icônico.

Na parte da trilha original, infelizmente não temos a mesma qualidade da trilha orquestrada do antigo anime, e senti falta de temas mais variados. Parece que decidiram criar um único tema, e a partir dele criar variações musicais de acordo com a cena. Funciona, mas é longe da qualidade que esperamos de Cavaleiros do Zodíaco.

O ponto mais alto é sem dúvidas a dublagem! Trazer os dubladores originais foi uma sacada de mestre, tanto pelo fator nostalgia, quanto pela facilidade que esses atores tem de interpretar esses personagens tão conhecidos há tantos anos. As personalidades dos cavaleiros é a mesma de sempre, com acentos em um ou outro tom, mas, seguem sendo os mesmos cavaleiros, e a dublagem faz um trabalho formidável. Parabéns para o Francisco Brêtas, voz do Hyoga de Cisne, e que ficou encarregado de dirigir a dublagem dos episódios.

Visual

O ponto mais controverso desses episódios é a animação. Não pelo estilo escolhido, afinal, o filme A Lenda do Santuário pode ter inúmeros defeitos, mas a sua qualidade de animação é o ponto mais alto. O problema é a qualidade empregada nos episódios. Durante os 6 episódios a animação oscila entre momentos excelentes e momentos muito ruins. Eu não sei se foi por questões de orçamento, ou por causa de tempo de renderização, mas parece que eles escolheram momentos onde investir e onde poderiam economizar, deixando as coisas sem equilíbrio.

Saint Seiya: Cavaleiros do Zodíaco

Sabe aqueles momentos do primeiro trailer onde a animação parecia bem barata? Eles estão aqui, e por se passarem num momento controverso da trama para os fãs mais antigos, piora ainda mais as coisas. Felizmente, quando a trama engrena, e principalmente no último desses 6 primeiros episódios, temos uma qualidade alta empregada, e podemos aproveitar momentos empolgantes de batalha sem estranhamento.

“Nenhum golpe funciona duas vezes no mesmo Cavaleiro.”

A polêmica mudança na sexualidade de Shun não mudou em absolutamente nada a trama ou núcleo dos cavaleiros. Na versão brasileira mantiveram o nome Shun, o que faz menos diferença ainda. Ao menos, agora as meninas tem uma representante em meio aos protagonistas.

Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco é um produto de seu tempo, assim como foi a já datada animação original. Não espere ver sangue jorrando, e violência pesada, essa animação é para as crianças de hoje, e acertadamente tem o tom certo para cativar uma nova geração. Felizmente, se você se aproxima ou já passou dos 30 anos, e assistiu a versão original na Rede Manchete, pode ficar tranquilo! A essência dos personagens é a mesma, e as vozes originais ajudam a manter o espírito da nostalgia rodando sobre nós enquanto assistimos. Cavaleiros do Zodíaco continua sendo um anime sobre amizade, esperança e superação, e é uma divertida aventura para acompanhar com os mais novos.

Avaliação

Animação7
Roteiro7.5
Trilha Sonora7.5
Dublagem10
Direção/Montagem8
8

Resumo

Seiya e Os Cavaleiros do Zodíaco estão de volta para proteger a reencarnação da deusa Atena, mas uma obscura profecia paira sobre todos eles.

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Bruno Sena
Campeão dos 100M rasos em séries da Netflix. Fã de quadrinhos, principalmente do Superman. Carioca, curte uma cerveja gelada no fim de semana, enquanto prepara seu plano de dominação mundial.