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Review | Titãs – Episódio 1

Para emplacar de vez o seu novo serviço de streaming, a DC resolveu investir em algumas séries Live Action, começando com Titãs. Quando anunciado, a expectativa era alta, o problema foram alguns vazamentos que fizeram os fãs das animações torcerem o nariz para o visual dos personagens, mas isso a gente vai conversar em outro ponto do texto.

Enredo

A trama de Titãs usa a jovem Ravena como ponto de conversão dos personagens. Rachel é uma menina assustada com seus poderes que parecem ser malignos, até que ocorre um atentado na sua casa, e ela resolve fugir sem rumo, até que o destino a coloca de encontro com Dick Grayson. Dick largou Gotham e saiu da sombra do Batman para trabalhar como Detetive em Detroit. Sempre trabalhando sozinho, Dick acaba encontrando Rachel e acaba se envolvendo com a história da garota. Paralelamente temos Kory Anders, que acorda desmemoriada em um acidente de carro, e acaba descobrindo que estava atrás de Rachel. Em busca de recobrar a sua memória, parte atrás da garota para poder encaixar essa peça do passado.

Adaptações

Como um fã de longa data da DC, é curioso ver o tanto de fidelidade que esse episódio piloto consegue trazer de vários arcos bem conhecidos. Começando por Dick Grayson, que assim como nos Novos Titãs de George Perez quer sair da sombra do Batman, e tem essa trama melhor adaptada nos quadrinhos do Asa Noturna, incluindo uma personagem que aparece na série, mas vou guardar as surpresas. A grande diferença é que ao invés de ir para Bludhaven, a série usa a cidade de Detroit. Acredito que seja por ser a cidade natal de Geoff Johns, produtor da série. Ravena também é bastante fiel a sua origem na série, apesar de não termos muitas informações, tudo indica que teremos a adaptação do arco do BrotherBlood e seu culto macabro. Estelar não tem como falar muita coisa, mas como sempre a personagem está desmemoriada e em busca de respostas. O mutano teve uma cena de 1 minuto, vamos deixar para comentar mais pra frente.

Conceitos Técnicos

Se alguém me disser que essa série é dirigida pelo Zack Snyder, eu acreditaria facilmente. A cena de luta do Robin no beco é próxima da luta de Batman contra os capangas no cais em BvS. A trilha sonora é boa, e a fotografia é escura e cinzenta, acredito que isso seja pela maior parte das cenas acontecer durante a noite. Os efeitos especiais estão ótimos, os poderes da Estelar e do Mutano foram bem retratados, e o tigre verde não ficou com cara de CGI barato, o animal tinha peso na cena. Apesar do roteiro parecer simplório algumas vezes, lembra a dinâmica de diálogos dos quadrinhos, o que não é um ponto negativo, nem positivo. O ponto mais alto da série foram as atuações. Todos os atores agem como seus respectivos personagens de maneira fiel, e todos tem uma atuação de alto nível. Destaque para a atuação de Anna Diop, que rouba a cena já nos primeiros segundos em tela.

O Visual

Quando aconteceu aquele vazamento de fotos dos personagens, muita gente torceu o nariz para a série. Começando pelo Mutano, que não estava verde. Pois bem, na sua origem, mutano não era verde, ele foi ficando verde enquanto utilizava seus poderes, até que nunca mais conseguiu voltar a sua cor natural. Já a Estelar, que sofreu um misto de reclamações pela cor da pele e pelo cabelo, eu prefiro pensar que foram comentários inocentes por fãs das animações do que racismo em si. A personagem sempre teve traços raciais negros, principalmente na fase do George Perez, que parece ser a principal fonte da adaptação. Seus poderes nem sempre foram rajadas verdes, e seu cabelo ficava em chamas enquanto voava. Uma versão literal de seu nome americano ‘Starfire”. É claro que é muito mais fácil associar o visual do Robin, visto que ele é o único que tem um uniforme, e seu uniforme é extremamente fiel ao visual dos Robins. Porém, é melhor aguardar a temporada acabar antes de fazer qualquer julgamento, Johns já confirmou que os personagens terão seus uniformes e muita água ainda está para rolar.

Veredito

Titãs tem o melhor episódio piloto dentre as séries da DC. É como se os personagens entrassem no tom de Demolidor da Netflix, porém com toda a galhofa que esperamos de uma adaptação em quadrinhos. É um pé na porta para quem não esperava nada, e uma grata surpresa pra quem esperava pouco. Felizmente todas as minhas expectativas foram atendidas e só torço para que a série continue em alto nível até o fim da temporada.

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Bruno Sena
Campeão dos 100M rasos em séries da Netflix. Fã de quadrinhos, principalmente do Superman. Carioca, curte uma cerveja gelada no fim de semana, enquanto prepara seu plano de dominação mundial.