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Review | Stranger Things 2

Depois de uma estreia surpreendente no ano passado, Stranger Things retorna para alegria de nossos corações. Conforme prometido pelos irmãos Duffer, temos um projeto mais ambicioso e muito mais sombrio, com referências e inspirações em histórias mais pesadas, inclusive o Exorcista.

Ao final da primeira temporada temos Eleven dada como morta após derrotar o Demogorgon, Will resgatado do mundo invertido, mas com sinais de que não estava bem, Nancy triste pela perda de Barb e o chefe Hopper colocando Eggos numa caixa esquisita na floresta, em busca de alguma coisa.

A segunda temporada começa 320 dias após o evento que mudou as famílias de Hawkins, com o Hopper indo investigar um envenenamento nas plantações de abóboras as vésperas do Halloween e descobrindo que tem muito mais coisa por trás dessa situação. As crianças vão a loja de Arcades e se deparam com um novo recorde na máquina de Dig Dug, feito por um tal de Mad Max. Will tem o seu primeiro surto da temporada e começa a enxergar como se estivesse no mundo invertido. A partir daí se desenrola a trama do monstro das sombras, que mais pra frente as crianças o denominam como o controlador de mentes. Uma nova aluna é apresentada a escola de Hawkins, e trás consigo seu meio irmão babaca vivido por Dracre Montgomery, que se torna um antagonista pra Steve e vemos cenas a la Karatê Kid. É legal ver o crescimento das crianças, suas primeiras paixões, decepções, e até um possível triângulo amoroso. Outra novidade na série foi a introdução de Bob, novo namorado de Joyce, vivido por Sean Austin, uma referência viva trazida de Goonies.

Esse ano perdemos a dinâmica aventuresca com tons de Spielberg, e temos uma série obscura, focada no crescimento dos personagens, mas trazendo um terror psicológico que parece transcrito das páginas de H.P. Lovecraft. O monstro das sombras parece ter sido inspirado em Cthulhu, mas com um visual mais clean. A paleta de cores mudou, e ao invés de uma alta saturação, temos tons mais escuros. Todas as vezes que temos algum contato com o mundo invertido, a câmera faz questão de fazer a brincadeira de girar do ponto inicial até a mudança pro mundo invertido. As atuações continuam impecáveis, principalmente a dinâmica de pai e filha que temos entre Hopper e Eleven, é incrível como eles trabalham bem juntos e tem uma boa química. Winona Ryder continua dando show e mesmo os personagens secundários atuam de maneira preciosa para que todos os núcleos funcionem bem.

A trilha sonora continua muito boa, principalmente por se adequar ao clima visual e narrativo da temporada. Ao invés de tocar no fundo de todos os momentos, a música aparece em momentos chave, mas se mantém em silêncio nos momentos certos para manter o suspense da cena. Além da trilha original, temos aquelas dádivas divinas vindas dos anos 80, desde o pop até o punk de Runaways.

Infelizmente nem tudo são flores, é notável a diferença dos episódios escritos e/ou dirigidos pelos Duffer e os outros. Nos primeiros 5 minutos da série temos uma cena que só se desenrola no episódio 7, mas que quebra tanto o clima e o ritmo da temporada que poderia ser apresentado na temporada seguinte. O episódio é quase um standalone enfiado no meio da temporada. Algumas decisões de narrativa escolhidas podem não funcionar bem pra todo mundo, inclusive pra quem esperava algo mais leve como a primeira temporada, mas no geral o nível de qualidade se mantém alto.

Stranger Things 2 é um investimento ambicioso, a escala da série triplica, e o clima de terror e tensão aumenta consideravelmente. Se você é fã de Stephen King, Lovecraft ou gosta de aventuras de terror e suspense, essa temporada tem tudo para ser sua favorita. Se esperava algo mais leve e vindo das mãos de Spielberg como a primeira temporada, pode ser que você acabe não mordendo a isca. A temporada 2 é um dos caminhos possíveis para seguir, e a temporada 3 parece que deve se aproximar desse caminho mais obscuro e tenebroso. Espero que independente da escolha criativa, o próximo ano acerte mais nas escolhas de tempo e narrativa para não se tornar cansativa para quem não espera ver um romance pesado de Lovecraft nas telinhas.

Depois de uma estreia surpreendente no ano passado, Stranger Things retorna para alegria de nossos corações. Conforme prometido pelos irmãos Duffer, temos um projeto mais ambicioso e muito mais sombrio, com referências e inspirações em histórias mais pesadas, inclusive o Exorcista. Ao final da primeira temporada temos Eleven dada como morta após derrotar o Demogorgon, Will resgatado do mundo invertido, mas com sinais de que não estava bem, Nancy triste pela perda de Barb e o chefe Hopper colocando Eggos numa caixa esquisita na floresta, em busca de alguma coisa. A segunda temporada começa 320 dias após o evento que mudou as…
Stranger Things é uma série de televisão americana de ficção científica e terror criada, escrita, dirigida e co-executiva produzida pelos irmãos Matt e Ross Duffer.

Stranger Things 2

Roteiro
Direção
Trilha Sonora
Direção de Arte
Fotografia
Efeitos Especiais

ESPADAS

Stranger Things é uma série de televisão americana de ficção científica e terror criada, escrita, dirigida e co-executiva produzida pelos irmãos Matt e Ross Duffer.

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Bruno Sena
Campeão dos 100M rasos em séries da Netflix. Fã de quadrinhos, principalmente do Superman. Carioca, curte uma cerveja gelada no fim de semana, enquanto prepara seu plano de dominação mundial.