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O Poço (Netflix) | Entendendo o filme

Muito mais do que um filme, O Poço chegou a Netflix dividindo opiniões do público e figurando entre o top 10 praticamente todos os dias. Afinal, o que motiva esse filme ter atingido tanto destaque em pouco tempo?

Apesar de ter sido lançado na plataforma de streaming em 2020, O Poço é um filme de 2019 do diretor espanhol Galder Gaztelu-Urrutia, indicado a Melhor Diretor Revelação no Prêmio Goya por este mesmo filme.

O longa narra a história de Goreng, um homem que está enclausurado em busca de uma suposta cura para o seu vício em cigarro. A partir disso, ele conhece a peculiar estrutura do poço, aonde a comida é racionada entre os andares, num sistema de compartilhamento mútuo.

A principal característica do poço é justamente a comida. Cada andar é ocupado por duas pessoas, com duas camas, uma pia e uma privada, nada mais do que isso. No meio desse espaço, um vão infinito é a área aonde a mesa de comida chega todos os dias, sendo a única fonte de alimentação dos reclusos ali. A questão é: quanto mais baixo o seu nível no poço, menor é a comida que você recebe.

A premissa a princípio é simples, até que Goreng passa a questionar o sistema que ali existe. Qual o limite do poço? E se as pessoas cooperassem entre si? De onde vem tudo isso?

O filme mais do que uma simples história, rendeu diversas discussões internet afora. Existe uma interpretação que foi exposta pelo diretor em recente entrevista, mas O Poço é aquele típico longa que permite outras visões que não estão certas, nem erradas.

SE VOCÊ NÃO ASSISTIU AO FILME E NÃO QUER PERDER SURPRESAS NA TRAMA, PARE POR AQUI! SPOILERS A FRENTE.

A partir daqui, vamos expor a percepção de membros do Dinastia que assistiram ao filme e após intensas discussões, chegamos a algumas interpretações sobre elementos presentes nesse polêmico filme. Vamos a elas:

O QUE É O POÇO?

Não fica claro durante o filme o que de fato é o poço. Conhecendo alguns “habitantes” durante a passagem pelos níveis, as vezes pensamos que é uma forma peculiar de um centro de tratamento psiquiátrico. Com outros olhares, podemos achar que aquilo é uma prisão.

Em nossa visão, o poço é uma mescla disso tudo. Podemos até interpretar que o poço é um experimento de uma corporação, e que seu único intuito é observar o comportamento humano através da restrição de alimento, exigindo a união entre os membros que ali vivem.

OS SETE PECADOS CAPITAIS REPRESENTADOS

Há uma outra discussão rolando que o poço pode representar os sete pecados capitais em sua visão mais prática. Até achamos válido, mas alguns ficaram sem sua representação:

Gula – A voracidade de comer quando a plataforma chega em seu nível, sem pensar no próximo.

Ganância – Antes eu me aproveitar do que tenho, do que proporcionar algo para o outro.

Luxúria – Os níveis que recebiam a comida primeiro não perdiam a oportunidade de se gabar dos mais inferiores.

Raiva – A falta de comida depois de um tempo motivava a raiva dos reclusos, motivando ações de ódio contra seu parceiro de nível.

Inveja – O sentimento que toda dupla de níveis mais abaixo sentiam daqueles que estavam nos primeiros níveis.

Vaidade e preguiça não se relacionam com algum fato direto, mas a interpretação não deixa de ser válida.

A FUNCIONÁRIA DO POÇO

Durante uma das passagens de nível, Goreng tem a companhia de uma das funcionárias do poço, justamente a que fez sua ficha de entrada naquele lugar. A mulher relata que na verdade sua presença ali, era unicamente voluntária para conhecer a experiência que ali funcionava.

A sua representação ali na verdade, nos mostrou que nem mesmo os funcionários daquele espaço sabiam das atrocidades que ali existiam. Cada um dos reclusos podia levar um item para o ambiente, e sua escolha foi de levar seu cachorro, que teve um fim brutal ali.

Mal o fim do poço ela sabia que de acordo com ela, “achava ter 200”. A realidade aí é que o significado de tudo está muito além dos funcionários, é um significado simbólico que pesa como um experimento social para toda e qualquer pessoa que resolver enfrentá-lo, até mesmo aqueles presentes no sistema.

O SIGNIFICADO DA CRIANÇA

Uma das grandes questões do filme, e que inclusive se estende até a cena final que dividiu opiniões, é a presença de uma criança no poço. O que já havia sido exposto por uma das funcionárias responsáveis pelo ingresso no poço, é que pessoas com menos de 16 anos eram proibidas de entrar. Como então havia uma criança ali?

Miharu é a primeira pessoa que Goreng vê transitando entre os níveis, e isso chama muito sua atenção. Quais as motivações dessa mulher, que atua com uma atitude voraz contra quem vai contra ela, assassinando brutalmente muito dos habitantes dos níveis?

Em uma das vindas de Miharu pelo seu nível, Goreng acaba descobrindo que a motivação de Miharu é proteger sua filha, que até então não sabemos onde está. Isso só se mostra verdade no ato final após a morte de Miharu, quanto Goreng se junta a Baharat para conhecer o fundo do poço.

Até então só tínhamos conhecimento de 200 níveis do poço, como exposto pela própria funcionária dali, mas vemos que na verdade há 333 níveis, e no último deles, está reclusa a filha de Miharu, solitária e intacta de todo o mal, mas faminta como todos dos níveis mais baixos.

A proposta que levou a dupla até ali na verdade era preservar um único prato, uma panna cotta, que seria levada na plataforma até a cozinha, mostrando que a humanidade não estava de toda perdida naquele poço. Houve união entre todos os níveis, e isso preservou a comida até o fim. (união entre muitas aspas na verdade, sendo que a dupla precisou matar muita gente para preservar a comida até ali)

Porém, ao chegarem no nível 333, a fome da filha de Miharu era tanta que ela devora a panna cotta, sendo vista assim como o real significado de esperança. A criança é adormecida e levada pela plataforma até o topo, dando como cumprida a missão da dupla de representar a esperança e a união que um dia poderia ser transmitida por aquele local.

Há uma interpretação mais bíblica, que diz que Goreng representa Jesus, que se sacrifica para levar esperança aos homens. Gosto dessa possibilidade, e faz todo o sentido com a proposta.

Sei que além das interpretações que colocamos acima, O Poço tem muito mais discussões, e é uma obra que seguirá viva nos nossos debates por aí. Tem algum ponto que você viu no filme e gostaria de discutir com a gente? Diga pra gente nos comentários!

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