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Missa da Meia Noite (Netflix) | Crítica

Quando anunciada pela primeira vez, eu não fazia ideia do que se trataria Missa da Meia Noite. Com um trailer um tanto quanto instigante e misterioso, se mostrava mais uma vez um dos grandes trunfos de Mike Flanagan: não exponha todas as cartas do seu jogo logo de cara.

Do mesmo criador de A Maldição da Residência Hill e A Maldição da Mansão Bly, Missa da Meia Noite conta a história de um padre que chega a uma pacata cidade localizada numa ilha dos EUA, em que a rotina é tal qual aquelas cidadezinhas do interior que já vemos em outros filmes. O trabalho rural, a educação situada em apenas uma instituição e a prática recorrente de acompanhar as missas na única igrejinha do local, é o que move os habitantes dali.

A chegada do novo padre a ilha coincide com o retorno de Riley, jovem que sofre por um passado tenebroso em que provocou um grave acidente resultando na morte de sua amada. Assim como toda cidadezinha pequena, a notícia do retorno de Riley corre rápido de boca a boca, e a família passa a ser vista com olhos de dúvida e questionamento, de quem é realmente o Riley que voltou a ilha depois de ser capa dos jornais.

Diferentemente do que Mike Flanagan já havia exposto anteriormente em suas obras da Netflix, Missa da Meia Noite não conta a história de uma maldição, mas sim constrói uma situação a partir dos males que uma sociedade pode demonstrar, construindo ali seus próprios malefícios. A série aborda de forma escancarada o fanatismo religioso e a cegueira racional que isso pode provocar em seus fiéis, além da xenofobia com um xerife que veio de fora e também não é crente da religião que é ali praticada.

Tratar de temas tão atuais e próximos da nossa realidade, mostram mais uma vez que Mike Flanagan não precisa de jump scare ou abrir um portal para o inferno para nos mostrar o que é terror de verdade, o que é o terror do jeito Flanagan de ser. Isso já tinha ficado evidente nas duas temporadas de Maldição, que cada qual a sua maneira nos mostrou um terror mais voltado a tensão e o outro mais voltado ao drama. Em Missa da Meia Noite, nos é apresentado uma outra vertente, motivada pela religiosidade e falsas crenças, com a pitada de sobrenatural que não pode faltar.

Alguns atores que já haviam participado das temporadas de A Maldição voltam, como Kate Siegel, Henry Thomas e Rahul Kohli, mas antes que se especule alguma coisa, os seus personagens não tem qualquer ligação com aquilo que foram no passado, sendo uma história totalmente apartada, mantendo a fórmula de 7 episódios e uma temporada única.

Digna de uma maratona de fim de semana, Missa da Meia Noite surpreende ao ocultar a todo momento a sua real temática, que desde os trailers fica impossível de dizer o que o Padre Paul e a misteriosa ilha trazem de mistérios para essa nova história, em que até o seu título se torna um spoiler a partir de determinado momento da trama.

Missa da Meia Noite tem todos os episódios disponíveis na Netflix.

Pontos Positivos
O terror de Mike Flanagan se mostra mais uma vez diferenciado, e cria uma fórmula própria da modernidade do gênero
Mais uma vez o elenco atua de forma brilhante
A forma com que a trama esconde a temática da série, provoca um grande plot twist nos 3 episódios finais
Pontos Negativos
Algumas histórias apresentadas durante a trama se perdem quanto a nível de importância para a resolução final
9.5
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