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Messiah (Netflix) | Religião e política em jogo

E se o filho de Deus vivesse nos tempos modernos, em meio a guerras e desavenças políticas que passamos? Messiah busca trabalhar em torno dessa problemática, colocando em dúvida o que é verdade na nova produção da Netflix.

A série conta a história de um homem que surge durante eventos ocorridos no Oriente Médio, mais especificamente na Síria, em situações próximas aos milagres que Jesus Cristo realizou de acordo com a história bíblica. Desde a sobrevivência numa tempestade de areia, a cura de um menino enfermo e até mesmo a proximidade do fim de uma guerra com o território inimigo, a dimensão da fama do suposto Messias toma grandes proporções que chega até os EUA.

Confesso que quando vi o trailer da série já fiquei atento pelo quanto de polêmica iria render ao trabalhar com um tema tão delicado. Recentemente passamos por situações envolvendo religião com a própria Netflix, que mostraram que infelizmente nos dias de hoje ainda existem pessoas com sentimento encrustado num dogma, e doa a quem doer pelas suas ações.

Ao decorrer dos 10 episódios da temporada, eu notei que a abordagem era mais branda do que eu imaginava. Alguns momentos mais com a intenção exposta de colocar o dedo na ferida, outras deixando de lado uma abordagem mais detalhada afim de provocar o mistério no espectador e deixar a trama perdurar.

Quando a notícia do “novo Messias” chega aos EUA, começa uma movimentação imensa ao redor de uma pequena capela no Texas, fruto de mais um dos milagres do misterioso homem. Durante um ciclone, o único lugar intacto no vilarejo foi a capela, sob a presença deste homem. Afinal, quem ele é?

O grande ponto de Messiah está aí. Será que realmente estamos vivendo o tempo da volta de Jesus Cristo a terra dos homens como a Bíblia dizia, ou ele não passa de um charlatão usando da imagem de uma pessoa conhecida e idolatrada no mundo inteiro, para proporcionar a influência entre Oriente Médio e EUA, em tempos de grandes distúrbios?

O desenvolvimento da série me agradou, por mais que houvessem algumas questões de roteiro que aparentemente foram corridas demais, e outra um tanto quanto desnecessárias, mas o resultado é satisfatório. A fotografia atende bem o propósito, funcionando no contraste entre Oriente Médio e EUA, trabalhado cada vez mais conforme a série cresce.

Coloco alguns pontos de destaque com relação a atuações. Mehdi Dehbi é o misterioso homem, o Messias, e atua de forma convincente fazendo com que nós fiquemos em dúvida a cada episódio sobre o que realmente ele é, seja por suas feições ou suas ações. Michelle Monaghan é a investigadora da CIA Eva Geller, principal responsável por conduzir as investigações sobre a aparição do homem. Ambos atuam de forma que o núcleo principal da série funcione em compasso com o roteiro.

Por mais que haja a temática religiosa forte no roteiro da série, ela funciona muito mais no âmbito político, social e investigativo. Não é tão grandiosa e impactante como Homeland, mas é promissora. Alguns momentos Messiah nos traz uma discussão que é até passível de reflexão nos tempos que vivemos: e se realmente for verdade, qual seria sua reação?

Pela conclusão da 1ª temporada, é extremamente necessário termos mais episódios da série. Aguardemos quais os planos da Netflix para a continuidade da história que nos fez refletir e colocar em cheque o novo Messias.

Roteiro
8.5
Fotografia
9.5
Montagem
8
Trilha Sonora
8
Voto do Leitor(a)1 Vote
8
8.5
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