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Loja de Unicórnios | Crítica | O trem de Hype da Netflix

Amadurecer é difícil. Eu comecei meu texto com essa frase de efeito, que é repetida à exaustão no mais diversos discursos motivacionais, porque foi a primeira coisa que que me veio à cabeça quando terminei assistir Loja de Unicórnios.

O “novo” longa da Netflix, e digo entre aspas mesmo, já que o filme é de 2017, foi exibido no festival de Toronto daquele ano, mas só agora teve os direitos de distribuição comprados pelo serviço de Streaming.

Bem, é comum bons projetos sendo engavetados ou demorarem anos para entrar no circuito de exibição. Afinal, o lado comercial sempre falou mais alto e algumas obras mais autorais tem mais resistência aos olhares de produtores e estúdios.

Mas este filme em si tem um apelo extra. Loja de Unicórnios é protagonizado e dirigido por Brie Larson e co-estrelado por Samuel L. Jackson. Sim, isto mesmo que você pensou, a dupla protagonista de Capitã Marvel (leia crítica aqui), a nova sensação do momento e o mais novo filme a ultrapassar a barreira do US$ 1BI de dólares.

Oportunismos da Netflix? Com certeza. Aproveitar o hype da dupla, onde ao menos a química sai intacta, em meio à muitas críticas que se possam fazer ao longa, foi uma aposta certeira, porém arriscada, já que dependia da qualidade do longa, ou ao menos da aceitação do público a uma obra, no mínimo, peculiar.

Eu digo peculiar porque o filme é um conto de fadas moderno, mas sem os clichês de comédias românticas enlatadas aos montes no canadá (sorry Tia Bia). E não é uma reclamação quanto ao gênero, taí Mark Ruffalo que não me deixa mentir, gosto de muitos filmes.

A forma como filme é contada causa estranheza o tempo todo, respiros dramáticos, piadas de situação e personagens caricatos são entregues aos quilos, mas o que torna essa fabula envolvente é porque, diferente das mais tradicionais, a motivação não é um interesse romântico, é a realização do sonhos de Kit (Brie Larson).

Kit era uma criança cheia de sonhos, pinturas e glitter. O maior deles? Ter um unicórnio de verdade. Ela cresce e tem a primeira desilusão da vida adulta. Foi reprovada na faculdade de Artes. Ao voltar pra casa dos pais, percebe que precisa sair de sua bolha fofinha, finalmente crescer, ter um emprego monótono e poder conquistar o direito de pagar boletos.

Eis que ao conseguir um emprego temporário, com chefe assediador, surge um vendedor de Unicórnios oferecendo uma oportunidade única. Para isso ela não precisaria pagar um centavo sequer, só precisaria se mostrar merecedora.

Nesse ritmo o filme segue a fofa jornada de amadurecimento da personagem principal. Fofa realmente é a palavra chave pra definir a trama do filme. O roteiro, escrito pela inexperiente Samantha McIntyre, possui idéias muito boas, que podiam ser mais exploradas, mas que ficam bagunçadas, com a impressão que não liga nada a lugar algum.

E não que o filme seja entediante, muito pelo contrário, fiquei surpreso como a trama me prendeu e a vontade de saber como terminaria. Mas parece que isso era mais mérito de Brie Larson, que como em um estudo de personagem, vestiu a pele de Kit, entregando uma protagonista muito interessante, que movimentava a trama, mas que parece ter chego ao fim da mesma forma que começou. Talvez não, talvez ela amadureceu de fato, mas o roteiro não me entregou essa essa resposta.

Talvez a falta de experiência em direção da atriz tenha ajudado com isso, já que é sua estréia em longas. O calibre do elenco, que contava com Joan Cusack (Toy Story, Desventuras em Série) e Bradley Whitford ( Get Out, Brooklyn 99), além do dois já citados, é alto e inquestionável, mas mesmo boas atuações não salvam o texto vazio.

A produção é graciosa, mas não sabe se abraça a fantasia de vez ou se finca o pé na realidade. Essa dicotomia atrapalha demais o entendimento do filme, que parece seguir por direção contrária do correto, em vários momentos. O que no final é frustante.

A verdade é que eu só queria viver o meu mundo de sonhos, glitter e unicórnios, afinal quantos de nós já não tiveram que abrir a mão de sonhos e objetivos porque os boletos, sim meus amigos, os boletos chegam. Talvez por isso a história de Kit seja tão instigante, porque no fundo ainda queremos ser bombeiros, pilotos de avião, arqueólogos ou cientistas, mas temos que abrir mão desses desejos, pra crescer, gostar de café sem açúcar e uva passa no arroz. Amadurecer é difícil.

Avaliação

Direção6
Atuação8
Montagem5.5
Fotografia6.5
Roteiro5
6.2

Resumo

Após fracassar na escola de artes e aceitar um emprego entediante num escritório, Kit finalmente tem a chance de realizar seu grande sonho: adotar um unicórnio.

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Neto Sambora
Nerd e Publicitário da cidade do sanduíche. Amo chocolate, hambúrguer, Coca-Cola zero (sim, sou estranho!) e tudo que o Mark Millar escrever. Não me julguem, mas conheci Star Wars com o Ameaça Fantasma e sou fã do Nicholas Cage!