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Game of Thrones S08E06 | Review

E chegou ao fim… Após 8 anos, mais uma longa jornada se encerra e a última vigília teve o seu ponto final decretado. Com um fim amado por uns e odiados por outros, é inegável que Game of Thrones marcou a história da TV e do entretenimento.

O episódio final tem início com as consequências da carnificina promovida por Daenerys em Porto Real, a partir da visão de Tyrion, aquele que como Mão da rainha, tinha a aconselhado a parar os ataques a capital a partir do baladar dos sinos. Ordem ignorada, tragédia decretada e as recomendações do anão haviam sido mais uma vez desprezadas pela rainha prepotente.

Preocupado com o destino de seus irmãos, Tyrion se depara com a rota de fuga completamente tomada pela demolição, e em meio aos destroços localiza Jaime e Cersei mortos soterrados, em uma cena que nos faz sentir o pesar do Lannister por todo seu cuidado com a família nos momentos de caos, mas que foi arrebatado pelo sentimento avassalador de domínio da Targaryen. Ali, a chama de ódio de Tyrion tinha explodido de vez.

No discurso de conquista de Porto Real, Daenerys exalta o apoio que teve dos Dothraki e dos Imaculados para essa conquista, que possibilitaram a queda de uma tirana (e cá entre nós, colocar outra né?). A promessa da Targaryen é que aquele ato não é o fim, mas sim um começo para algo ainda maior, com a libertação de todos os povos de Westeros.

Inconformado com o destino traçado pelo reinado de Daenerys, Tyrion abdica da posição de Mão na frente da sua rainha, cometendo um ato de total ousadia (demonstrando ser o personagem mais sensato de todo Game of Thrones), assumindo que traiu a rainha, mas que fez um ato muito menor do que ela, descumprindo o acordo com o anão:

Eu libertei o meu irmão. E você massacrou uma cidade.

Como não há insubordinação perante a Daenerys, ela ordena a prisão de Tyrion, assim como fez recentemente com Varys, também por motivo de traição. E desta forma, mostra mais uma vez que opiniões contrárias a seu comando serão totalmente descartadas.

Jon Snow vendo tudo isso tem sua dúvida contra a rainha cada vez mais aflorada. Arya vem a seu encontro e pede que o irmão abra os olhos para a assassina que ele está protegendo (precisa que o Papa também te fale umas verdades, Jon?). Mas o grande estopim para abrir a mente do homem que não sabe de nada foi a conversa com o mais sábio desta série: Tyrion Lannister. Ao visitar, o agora preso anão, Jon tem uma retrospectiva de atos nefastos cometidos pela Targaryen narrados por Tyrion que agora, impossibilitado de realizar qualquer ação, conta com a sensatez de Jon:

Você é o escudo que defende o reino dos homens. Sempre tentou fazer o que era certo, qualquer que fosse o custo. Quem é a maior ameaça das pessoas agora?

Teria ali renascido o Jon Snow que tanto gostamos de ver, o verdadeiro guerreiro em prol do povo e não cego por um amor?

Motivado pelas palavras de Tyrion, Jon ruma ao encontro de Daenerys na sala do trono, que está intacto mesmo com toda catástrofe acontecida em Porto Real. Visivelmente cega pelo poder, Daenerys está prestes a enfim cumprir o seu grande desejo de domínio dos Sete Reinos, representado pela figura do lendário trono. Mas, o gosto do poder é interrompido de forma amarga pelo confronto de Jon Snow… o guerreiro enfim resolveu confrontar sua rainha!

Revoltado com tamanha brutalidade cometida nos asssassinatos de inocentes, Jon exige explicações da rainha, que sequer busca alternativas para justificar tamanhas atrocidades, tendo como único foco trazer o seu amado para junto de sua tirania, buscando convencê-lo de que sua forma de agir era correta, e não haviam outras alternativas a não ser se impor perante aos demais. Mas Jon enfim se cansou desse papinho…

Com um golpe seco e direto, Jon assassina Daenerys, cumprindo a profecia da traição por amor. Morta pelas mãos do homem que um dia a amou, Daenerys é vigiada por Drogon, que totalmente sensibilizado pela morte da “mãe”, destrói aquilo que motivou seu assassinato: o trono. Ali jazia o principal símbolo do poderio sobre os Sete Reinos, e novos tempos estavam para surgir sobre Westeros.

Passado determinado tempo na série, os lordes e ladies dos reinos de Westeros se reunem no Fosso dos Dragões afim de determinar os rumos do governo e de Jon Snow, que agora está preso pelos Imaculados por traição ao reinado. Mais uma vez, o grande homem por trás dessa articulação se torna Tyrion Lannister.

Sob liderança dos irmãos Stark, os lordes influenciados pelo conhecimento de Tyrion decidem pela eleição de um novo reinado para comandar os Sete Reinos. Edmure Tully, um dos sobreviventes da chacina do Casamento Vermelho (ou mais conhecido como o tiozão que só surge na festa para a piada do pavê) se oferece para assumir o trono, mas é ridiculamente desprezado pelo restante do conselho.

Samwell Tarly sugere uma eleição justa e compartilhada com o povo, mas também é desprezada, afinal quem quer ouvir o povo em meio a tanto alvoroço pela morte recente de uma rainha? Surge de Tyrion uma sugestão inesperada por todos, mas uma das únicas sensatas perante as opções presentes: Bran Stark.

Sei que você não quer, sei que você não se importa com poder, mas eu pergunto.. Se o escolhermos, você usará a coroa?

Por que acha que cheguei até aqui?

Bingo! Mais um momento que prova que Bran é o homem que sabia de tudo nessa série, e o destino estava traçado para que ele fosse o responsável por assumir a responsabilidade de desenvolver uma nova era em Westeros, um governo que passará a ser eleito pelos lordes, e não por herança familiar.

Sob a aprovação de todos os lordes, Bran tem apenas um pedido de exceção vindo de Sansa. A Stark pede a manutenção de um Norte independente, promovendo assim um novo governo baseado sob a vigilância de Seis Reinos, com o Norte tendo Sansa como sua nova rainha.

Tyrion é mais uma vez incubido para a tarefa do Mão do rei, afinal ninguém melhor do que ele para aconselhar os novos rumos que Westeros precisa. Mesmo contra a vontade, ele aceita o cargo. Abaixo dele, os mestres escolhidos são Bronn, Sor Davos, Brienne, Samwell e Podrick. Diga-se de passagem, um conselho um tanto quanto inovador, e que tem como principal desafio aprender os sensos de governança para apoiar o novo rei, que mostra mais uma vez que é tempo de renovação, e Westeros não é mais a mesma de tempos passados.

Game of Thrones

Arya Stark não quer nenhuma posição em Winterfell e muito menos em Porto Real, e decide desbravar novas terras de Westeros, rumando ao Oeste desconhecido, dando aí um final completamente digno para a personagem que se provou símbolo de bravura. Sansa Stark assume o Norte, e agora comanda um reino independente de Porto Real e dos comandos de seu irmão, Bran, sob a premissa de manter o legado da casa Stark que tanto honrou durante anos de aprendizado.

Jon Snow tem seu destino traçado terminado aonde começou. Visto o ato cruel realizado perante a rainha, sua punição é o exílio com a Patrulha da Noite… O bom filho a casa torna. Ao encontro de Tormund e do velho lobo Fantasma, Jon parte sem rumo para o Norte com os Selvagens, com um povo que ele mesmo sempre quis defender.

Game of Thrones

É o melhor final para a série? No meu ponto de vista, não. Mas considerando tudo o que foi construído, principalmente nas duas últimas temporadas, vejo que temos um final digno para a série que nunca se mostrou como justa ou muito menos, feliz. Game of Thrones é sofrida e cruel, e o final mostrou justamente isso.

Daenerys Targaryen foi construída com uma base insana desde os primórdios, e seu estopim mostrou a real face da filha que era um espelho do pai, fazendo com que medidas drásticas fossem tomadas e uma nova era de terror não tomasse conta de Westeros.

Nenhum personagem teve o fim que esperava. Foi um desfecho amargo, mas digno de Game of Thrones que nunca entregou o que os fãs desejavam, ou será que Ned, Robb, Catelyn, Oberyn e muitos outros não deixaram o recado claro?

É visível que houve falhas grotescas de roteiro no decorrer desta temporada, mas convenhamos que isso já vinha se arrastando lá de trás. Agora, nos restam saudades, e quem sabe um dia ler o final que está na cabeça do velho Martin. Apesar dos apesares, obrigado Game of Thrones, o mundo do entretenimento não será o mesmo sem você.

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Raphael Riveiro
Idealizador do Dinastia Geek, fanático por séries e games, engatinhando no mundo das HQs. Harry Potter, o universo Tolkien, Liga da Justiça e Tim Burton são o melhor do maravilhoso universo nerd/geek!