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A franquia Exterminador encontrou seu julgamento final?

Quem nunca se arrepiou na cena em que o exterminador arranca o próprio olho, que atire a primeira pedra. Pois é, meus amigos, eu tinha exatos oito anos quando assisti a essa cena pela primeira vez. A culpada pela “tragédia” foi minha mãe, fã assídua da série de filmes do robô mais badass da história do cinema – e que também foi a responsável por me apresentar a joias como Star Wars, Jornada nas Estrelas e O Senhor dos Anéis.

Pois bem, nem preciso comentar sobre o efeito que a cena citada acima teve sobre uma criança de oito anos, certo? Além do “choque de horror”, eu também me tornei paranoico, acreditando que qualquer pessoa – inclusive minha mãe (Why not?) poderia ser uma máquina assassina viajante do tempo. Só que apesar do medo, aquele filme, de alguma maneira, me hipnotizou. Eu não conseguia descolar os olhos da televisão nem por um segundo. Me apaixonei instantaneamente pela história daquela que até hoje é minha heroína favorita – Sarah Connor.

Depois de pouco tempo assisti aquele que até hoje é considerado o melhor filme da franquia Exterminador – sendo inclusive um dos melhores filmes de ficção científica, na humilde opinião deste que vos fala: Judgment Day, ou O Julgamento Final. Aliás, com exceção de O Império Contra-Ataca, o Julgamento Final é minha sequência predileta.

A película é brilhante do início ao fim, transformando um dos mais amedrontadores vilões do universo cinematográfico em um herói implacável. Além disso, trouxe uma Sarah Connor completamente paranoica com o iminente fim do mundo, bem como o melhor John Connor da franquia. Bom, a vontade de continuar elogiando essa peça é enorme, mas o tema principal desse texto precisa continuar.

O Julgamento Final, assim como seu antecessor, apesar de não ser considerado um filme de terror, conseguiu amedrontar seu público de forma magistral. Até hoje é impossível não suar frio ao ver o T-1000 de Robert Patrick revelando suas armas brancas feitas de metal líquido. Mas o que aconteceu a partir do terceiro filme da saga, A Rebelião das Máquinas? De alguma forma, parece que a franquia perdeu a “magia” e se tornou mais um mote genérico de filmes de ação desenfreada. É óbvio que todas as sequências que vieram a partir de 2003 tem um ponto forte. Algumas, como A Salvação, nos deram uma noção muito legal de como é o futuro apocalíptico do universo Exterminador. A própria Rebelião das Máquinas acertou ao apostar no humor para realizar uma autocrítica à série. Impossível não rir ao ver o parrudo ator austríaco vestindo sua jaqueta de couro e colocando uns óculos de sol em formato de estrela. Mas nunca mais sentimos medo. A forma como encarávamos os Exterminadores nos dois primeiros filmes da saga estavam permeadas de uma sensação de perigo. Eles eram deuses perseguindo mortais. Máquinas incontroláveis destruindo tudo em seu caminho para completar sua missão letal. Sim, havia cenas de ação também – e muito boas, por sinal (aliás, ver o Arnold destruindo a frota policial com sua metralhadora giratória no segundo filme é simplesmente maravilhoso), mas nós tínhamos a certeza de que parar um exterminador não era tarefa fácil nem para o mais habilidoso guerreiro da resistência (que o diga Kyle Reese). Sempre havia aquela certeza de que as coisas não acabariam bem para os heróis – ainda que acabassem. Ouso dizer que a figura emblemática desses seres mecânicos pode ser equiparada ao Jason Voorhees da série Sexta-Feira 13. Vale dizer: o mal até pode ser derrotado, mas ele dará um jeito de retornar, e retornará muito pior do que no início.

Mas eu lhe pergunto, caro leitor: o que ocasionou essa mudança tão brusca nos ares da franquia? Acredito que o excesso de cenas de ação ajudou de maneira significativa na perda dessa sensação de terror. Nos filmes mais antigos da saga, nós sabemos muito bem que derrotar um robô assassino exige muita inteligência e habilidade de seu oponente humano. Já nos filmes atuais, a ação é tão desenfreada que temos a sensação de que a qualquer momento o vilão do filme será subjugado por algum armamento extremamente poderoso. Aliás, por pior que o filme seja, A Salvação foi a única película que conseguiu me fazer captar novamente essa sensação de pavor ao ver um exterminador em cena. Falo aqui justamente do momento em que o T-900 – modelo do Arnold – surge em tela e persegue o Connor de Christian Bale.

Exterminador Gênesis, de 2015, encontrou uma forma de rebootar a franquia. James Cameron já declarou seu interesse em produzir um novo filme da série, juntamente com Arnold Schwarzenegger. O que nos resta é torcer para que a saga encontre o rumo que se perdeu depois do Julgamento Final. Este fã aguarda ansiosamente por isso.

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Rafael Sacata
Advogado, nerd, cinéfilo e pirado por quadrinhos. Passa as horas de descanso discutindo com a namorada sobre quem venceria uma batalha entre Batman vs Superman ou Capitão América vs Homem de Ferro. (Todo mundo sabe que os vendedores seriam o Batman e o Capitão).