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Filmes de super-herói? Vem mais que tá pouco, morês!

Há alguns dias fui buscar minha filha Malu na casa de sua mãe, e saindo pelo portão percebi que ela trazia em suas mãos o encadernado da Salvat, “NOVOS VINGADORES, O MOTIM”, HQ que minha pequena havia pegado comigo tempos atrás. A estória acontece logo após o arco “VINGADORES, A QUEDA”, que ela já havia lido anteriormente, e estava curiosa pra saber as consequências após “o pior dia da história dos Vingadores”. Ambas as estórias foram escritas por um dos meus roteiristas favoritos: Brian Michael Bendis, e preparava o terreno do que, pra mim, foi o maior evento da Marvel nos quadrinhos modernos: “GUERRA CIVIL” (Mark Milar), o primeiro encadernado que a Malu leu, quebrando a sequência de lançamento, (apressada não é mesmo!), por ter assistido ao filme Capitão América: Civil War.

Mesmo parecendo uma situação comum, me veio à cabeça o quanto a geração atual está aprendendo a amar as HQs de uma maneira diferente. Quando comecei a ler Gibis, no começo dos anos 90, dependia muito da minha imaginação pra materializar aquelas aventuras. Até existiam outras opções como os desenhos (Superamigos, Batman,  X-Men e Homem-Aranha), séries (Batman do Adam West, Shazam e Hulk) e alguns filmes (Superman, Batman), porém, nestas mídias era tudo muito menos grandioso que em minha cabeça.  Eu via as rajadas laser do Ciclope nas páginas e as imaginava ao mesmo tempo em minha mente, algo impossível de ser reproduzido em “live action” devido à falta de recursos da época.

Com o passar dos anos, muitos questionavam se as HQs sobreviveriam ao tempo. Mas no maior estilo” Homem-Aranha salva o dia em Nova York”, os grandes estúdios compraram direitos de nossos heróis, investiram em superproduções e reaqueceram o mercado de HQs. Nesse meio tempo, os efeitos especiais evoluíram, os roteiristas criaram fórmulas, reinventaram histórias e hoje vivemos um “BOOM”, a era de ouro dos quadrinhos no cinema. O caminho agora é reverso. As pessoas procuram HQs por causa dos filmes, que emulam cenas tão maravilhosas e grandiosas como as que eu imaginava quando criança ou, às vezes, até melhores e com maior riqueza de detalhes.

Aumentou o interesse de pessoas que nunca haviam lido uma HQ sequer na vida. Crianças, adolescentes e adultos querem descobrir quem são os heróis e como surgiram, seus vilões e suas principais histórias. Alguns até querem prever um futuro spoiler de um filme que possa existir, ou tentar achar alguma referência (Steve Rogers entendeu), colocada como pegadinha de algum roteirista ou diretor. Enfim, os quadrinhos voltaram à moda, e isso não é ruim. Muita gente reclama de “modinhas”, pessoas que na semana de estreia de um filme, tem um novo “herói favorito”, mas não é ruim, isso alimenta a indústria geek.

Fico muito feliz cada vez que a Malu, que hoje tem apenas 11 anos, me questiona algo que pra mim é comum, mas pra ela é novidade. Ao terminar de ler “A QUEDA”, ela comentou: “PAIIII, você sabia que a Feiticeira Escarlate (sua heroína favorita) é filha do Magneto?”. Ela falava isso com um brilho dos olhos, o brilho das descobertas. A mesma empolgação de quando ela descobriu que a Tempestade foi casada com o Pantera Negra, ou que a mesma Feiticeira também foi casada com o Visão, por exemplo.

O interesse da minha pequena, junto com todo esse frisson com as HQs, só é possível graças aos filmes e séries, que mesmo que às vezes de modo superficial, apresentam ícones dos quadrinhos como: Iron Man, Visão, Viúva Negra, Arqueiro Verde, Falcão, Homem-Formiga, Guardiões da Galáxia, Dr. Estranho, entre outros, para uma geração que só conhecia a Trindade, X-Men, Hulk e Homem-Aranha, por causa de desenhos que pelas HQs. Que tempos maravilhosos nós vivemos meus amigos. Que sejam longos e prósperos.

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Neto Sambora
Nerd e Publicitário da cidade do sanduíche. Amo chocolate, hambúrguer, Coca-Cola zero (sim, sou estranho!) e tudo que o Mark Millar escrever. Não me julguem, mas conheci Star Wars com o Ameaça Fantasma e sou fã do Nicholas Cage!