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Crítica | Verónica (Netflix)

Depois de realizar uma sessão de Ouija na escola, uma jovem começa a ver e sentir coisas além da explicação humana. Verónica tem tudo para ser mais um clichê de filmes de possessão e espíritos, porém se torna uma grata surpresa do gênero, a produção de que foi divulgada mundialmente pela Netflix chegou surpreendendo a todos com seu esmero técnico e seu bom enredo, baseado em um registro policial real, ocorrido em Madrid.

Verónica é a filha mais velha de uma mãe viúva que trabalha em um bar da cidade. Vero tem três irmãos mais novos, sendo duas meninas que já lhe ajudam nas tarefas diárias e um garoto que ainda está no processo de se livrar das fraldas. As crianças estudam em um colégio religioso, como é de praxe na Espanha, principalmente na década de 90. Vero se junta com duas amigas e resolve fugir de uma atividade de escolar que aconteceria durante o eclipse solar. Ao chegar ao velho depósito da escola, elas haviam combinado de tentar se comunicar com seus entes queridos falecidos por meio de uma taboa de Ouija. Já imagina o resultado disso não é?!

Dirigido por Paco Plaza, o criador da série de terror REC, que flertava entre os filmes de zumbi e o esquema de espíritos do Found Footage, aqui temos um trabalho artístico bem diferente do que estamos acostumados e cheio de nuances que lembram obras clássicas de Kubrick e Hitchcock e inspirações recentes em James Wan. Utilizando de takes de ambientes pouco comuns, como a visão de um prédio que quando olhado de baixo para cima parece uma cruz invertida, momentos extraordinários sempre acontecendo durante o sonho ou momentos de alto nível de estresse da personagem. Deixando-nos sempre o poder da dúvida sobre a sanidade da protagonista. O terror visual está lá, quase sempre representado pelas sombras, mas a questão psicológica é posta em cheque todo o tempo, e a tensão é criada pela maneira na qual a protagonista enxerga o ambiente.

Assim como a maioria dos filmes de terror, o silêncio se enquadra em boa parte da trilha sonora, aumentando os momentos de tensão com uma trilha de qualidade. A trilha também é utilizada para demonstrar o temperamento e o comportamento da adolescente, que estava sempre com seu Walkman nos momentos em que precisava esvazias a cabeça e dormir, ou caminhar para escola cuidando de seus irmãos por ter uma mãe ausente.

Verónica se destaca pela qualidade das atuações, pelo esmero do roteiro, e principalmente pela direção acertada de Paco Plaza. James Wan que se cuide, parece que temos um novo diretor para nos alegrar com boas histórias de terror.

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