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Crítica | O Primeiro Homem

O Primeiro Homem

Se eu precisasse resumir O Primeiro Homem em uma única palavra, essa palavra seria introspecção. E o filme mostra isso logo nos seus minutos iniciais, mostrando um teste de voo do nosso protagonista, Neil Armstrong, conhecem? O primeiro homem a pisar na lua é mostrado de uma maneira que poucas pessoas conseguiram enxergar com o passar dos anos. Um homem triste, mas que mantém seu foco acima de tudo para conseguir concluir sua missão. Nesses minutos iniciais, com uma câmera fechada, com o foco nos olhos de Neil debaixo do capacete, enquanto vislumbra a atmosfera terrestre e passa por sua primeira provação de piloto, ter que estabilizar a nave de testes antes de se espatifar no chão em migalhas.

O Primeiro Homem mostra toda a trajetória de Armstrong através dos programas espaciais dos EUA, todas as falhas, as mortes, as críticas. Ele não é um filme panfletário para enaltecer o gigante Estados Unidos da América, ele é um filme que mostra o lado mais pessoal do homem que conseguiu chegar lá, uma visão nihilista, minimalista, que é composta desde os takes fechados, até na direção de arte que mantem tudo bem escuro, como se a tristeza do protagonista contaminasse todo o ambiente. A trilha sonora, acerta em cheio, principalmente nas cenas espaciais, não é marcante como em 2001: Uma Odisseia no Espaço, mas os tons altos e metálicos dão uma noção quase futurista para cenas da década de 60.

Se em Wiplash e La La Land, o diretor Damien Chazelle ganhou projeção mundial por conseguir transpor idéias tão intimas pra um público mainstream, em O Primeiro Homem o diretor faz o caminho inverso, e pega algo que poderia ser um grande blockbuster, e transforma num filme pessoal. Se em Wiplash a perseverança do protagonista era consumida por suor e sangue, aqui vemos como a mente diferenciada de Neil Armstrong trabalhava, sua perseverança consumia sua vida, seus amigos, e sua família, e eu fiquei completamente apaixonado pelo trabalho de roteiro e direção. É fácil se identificar com o lado heroico de ter pisado na lua, mas o acerto da trama em não focar apenas nisso que faz esse filme ser especial.
As atuações de Ryan Gosling e de Claire Foy estão acima da média, e todo o elenco coadjuvante entrega tudo na medida certa. Claire Foy, que faz a esposa de Armstrong faz um trabalho passional, e por diversas vezes é responsável por carregar a carga dramática das cenas.

Indicado ao Oscar de melhores efeitos especiais, eu tenho que comentar que esse filme tem os melhores efeitos de um filme do gênero. Em nenhum momento você duvida do que está vendo, o filme não tem problemas de renderização, e acredito que a combinação de efeitos práticos ajudou no processo. As cenas espaciais são lindas, principalmente quando vemos a orbita da terra. Não há problemas de renderização, sombras, ou qualquer outro problema, o filme é impecável visualmente.

O Primeiro Homem pode ter cara de filme nacionalista americano, mas o filme é justamente o oposto, e é uma celebração ao advento da humanidade e a vida de um homem que ficará marcado para sempre na história. Um longa metragem honesto, e com direção impecável.

Avaliação

Roteiro10
Direção de Arte/Fotografia10
Efeitos Especiais10
Direção10
Trilha Sonora9
Atuações10
9.8

Resumo

O Primeiro Homem é um filme biográfico estadunidense, do gênero aventura espacial, lançado em 2018. Foi dirigido por Damien Chazelle e escrito por Josh Singer, baseado no livro First Man: The Life of Neil A. Armstrong, de James R. Hansen. A obra é protagonizada por Ryan Gosling no papel de Neil Armstrong e Claire Foy como Janet Armstrong.

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Bruno Sena
Carioca, fã do Superman e de quadrinhos em geral, além de jogar mais games do que deveria. Xbox live Gamertag: BrSena14