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Dunkirk | Crítica

Dunkirk veio para nos mostrar que Christopher Nolan é um diretor que consegue fazer muito bem tipos opostos de filme: aqueles com importantes atores de Hollywood, grandes orçamentos e efeitos visuais, e aqueles mais intimistas, orçamento enxuto e sem o uso do famoso 3D. O filme, apesar de ser gravado com alta tecnologia IMAX, utilizou o formato de 70mm, pouco usual no cinema atual.

A história é sobre a Operação Dínamo, que conseguiu resgatar mais de 300 mil soldados do porto de Dunkirk durante a Segunda Guerra Mundial. Sim… é “só” isso. É um filme de roteiro simples, com uma história já conhecida por todos, e devido a isso o diretor quis nos contar de uma forma diferente, fazendo com que nós nos sentíssemos ali, juntos com os soldados empurrados na multidão buscando a luta pela vida.

O posicionamento das câmeras e a trilha sonora incrível de Hans Zimmer te faz sentir, do começo ao fim, literalmente em meio da guerra. Peguei-me sentada na ponta da cadeira do cinema o filme todo, sem perceber, aflita com o passar do tempo! E apesar de não ter grandes diálogos, o filme te prende de uma forma espetacular onde você passa 1h48 torcendo pra dar tudo certo, por mais que você já saiba o desfecho dessa parte da Segunda Guerra Mundial.

Falando em passar do tempo, temos que falar da genialidade de Nolan, que nos apresentou uma narrativa não-linear, que diferencia dos filmes atuais (porém, que ele adora, como já fez em A Origem): Temos 3 histórias se passando em momentos distintos, com 3 protagonistas diferentes, e que em algum momento as histórias iriam se encontrar. Simultaneamente acompanhamos o piloto Ferrier no céu, em 1 hora, o patriota Dawson no mar, em 1 dia, e o soldado Tommy na terra, em 1 semana. Cada um com sua peculiaridade e sua missão na guerra. O diretor faz com que o telespectador se afeiçoe por cada um apenas pelo o que seus olhos nos dizem. Será que realmente precisamos de mais? Não vale nem a pena citar que temos o maravilhoso Tom Hardy e Mark Rylance (temos até Harry Styles, que além de ser um ótimo músico, decidiu ser ator também e não decepcionou!) no elenco, pois o filme não trata de vilões e heróis, e sim na sobrevivência e sofrimento silencioso deles.

O filme recebeu algumas críticas, a maior delas por parte dos franceses, que não gostaram de serem “esquecidos” na participação da evacuação dos 300 mil soldados em Dunkirk, pois o filme mostra apenas os britânicos fazendo todo o trabalho, onde na verdade foi uma ação conjunta. Problemas históricos e políticos à parte, o filme é ótimo. Falando em história, o resgate de Dunkirk é um dos momentos mais admiráveis da Segunda Guerra, onde os civis enfrentam o Canal da Mancha em pleno bombardeio para tentar salvar os soldados. É muito bonito de assistir e serve bem para nos lembrar do que é a compaixão pelo próximo, algo tão difícil nos dias de hoje.

O filme é um dos mais curtos que o diretor fez nos últimos tempos, mas a angústia que ele retrata dá impressão de ser muito mais longo do que realmente é, e talvez essa seja a grande jogada… nos fazer sentir dentro da guerra e da agoniante espera por um milagre.

Indicadíssimo para os amantes de filmes de guerra, como eu, e também para os que gostam de uma história contada de forma um pouco diferente do usual.

Avaliação

Atuações10
Direção10
Direção de Arte10
Edição10
Trilha Sonora10
Fotografia10
10

Resumo

Baseado na história real da Operação Dínamo, mais conhecida como a Evacuação de Dunkirk, operação militar que aconteceu no início da Segunda Guerra Mundial.

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Luciana Tozzi Takeshita
Arquiteta por formação e viajante por opção. Sempre dando umas voltinhas por aí e apaixonada por viagens, música, cultura pop (séries e filmes), história, gatos e Batman.