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Consoles Clones – A raiz dos games no Brasil

Dia 11 de setembro de 1977, era lançado nos Estados Unidos e logo após para todo o mundo o console Atari 2600.

Dia 18 de outubro de 1983, era lançado nos Estados Unidos e logo após para o mundo o console Nintendo Entertainment System (NES).

Esses 2 consoles tem muitas coisas em comum, além de serem divisores de águas na indústria dos videogames. Foram consoles que demoraram muito a chegar oficialmente no Brasil, principalmente por causa da lei de proibição da importação que acontecia nos anos 80, e só chegavam pra quem ia pro exterior comprar, seja nos Estados Unidos ou no Paraguai, ou por meio de contrabando.

O Atari por exemplo, só foi fazer algum sucesso aqui no Brasil quando o mesmo já estava em decadência no exterior. Começou com uma empresa que se denominou Atari Eletrônica, mesmo sem parentesco algum com a Atari lá de fora, e começou a vender o console chamando de Heavy Sixer. O grande problema era o preço extremamente alto e uma importação muito pequena pra conseguir suprir a demanda. Logo depois, as 2 maiores varejistas do país resolveram investir no mercado e a coisa começou a andar. O Mappin e a Mesbla começaram a importar em grande quantidade, traduzindo os manuais e caixas, realizando até a conversão para Pal-M para funcionar nos televisores nacionais.

Com o mercado aberto para comercialização de games, em 1981 uma empresa chamada Bit Eletrônica realizou a primeira grande jogada pra conquistar espaço, criou o “Top Game”, o primeiro clone nacional de um console, algo que se tornaria comum no país até hoje. Infelizmente essa primeira investida do Top Game não deu certo, pois por não ter a licença oficial de comercialização, preferiu por lançar o console com um soquete diferente, vendendo a parte um adaptador, o que acabou atrasando ainda mais a popularização do console no país. Logo após a tentativa frustrada por parte da Bit Eletrônica, a Sayfi eletrônica lançou no início de 83 a sua linha clone chamada de Dactar, onde conseguiu finalmente estabelecer mercado antes do aparelho oficial chegar no Brasil no final do segundo semestre com o Atari 2600 Polyvox fabricado oficialmente pela Polyvox, uma subsidiária da Gradiente no país. Isso não acabou com a criação dos consoles clones no Brasil, principalmente com marcas como Dynavision da Dynacom, Supergame da CCE e a Dismac com seus paddles giratórios.

O Nintendo Entertainment System, ou Nintendinho como chamamos popularmente, também foi outro que passou pelo mesmo processo, principalmente porque o intervalo de lançamento oficial no país foi de 10 anos. Se nos Estados Unidos o console foi o ponto chave pra se recuperar da crise de 1983 e a quase desistência no mercado de videogames, aqui no Brasil o cenário era o oposto. Com o Atari e seus clones dominando a venda de eletrônicos e brinquedos no país, a Nintendo não conseguia chegar a um acordo de fabricação do console no país, principalmente por causa das leis rígidas de comércio na época. Foi então que os consoles clones começaram a aparecer e apresentar a maravilha dos jogos Nintendo para os Brasileiros. O primeiro clone lançado no mercado nacional foi o Top Game VG-8000 da CCE, uma evolução do Top Game que antes rodava jogos de Atari, agora atualizado pra rodar jogos do Famicom, a versão japonesa do Nintendinho. O Dynavision também ganhou uma atualização, com o Dynavision II, também com entrada de cartuchos japoneses. Logo depois foi a vez da Gradiente investir num clone de alta qualidade, lançando o Phantom System, o clone mais conhecido na época, pelo menos até o lançamento do Dynavision III já em 91.  Os jogos da Nintendo foram difundidos e popularizados no país graças aos clones, já que o lançamento oficial no Brasil só ocorreu pela Gradiente em 1993.

Com o lançamento do console oficial, os clones foram perdendo forças aos poucos, e o maior inimigo da Nintendo no país já não era o próprio console, e sim um rival com grande expressão no país, o Sega Master System da Tectoy.

Mas isso é história pra outra matéria!

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2 Comments

  • por Helinux
    Publicado outubro 22, 2017 3:14 am 0Curtidas

    Lembro que nos anos 90 só vi o nintendo original em locadoras e importadoras. Eu tive um top game vg 9000 e me divertia muito com ele…também tive um vg 3000 onde jogava sempre enduro, pitfal, hero e outros clássicos. Conclusão: Joguei no Atari original uma vez na casa de um amigo meu…mas eu não tenho muita lembrança dessa época, já com o vg 3000 foi mais recente e lembro da galera e jogos que ali tinha sempre jogando. Com o nes devido a burocracia brasileira foi estranho…só via clones mesmo em lojas de eletrodomésticos. Quando apareceu a playtronic todo mundo achou que a vida da nintendo estaria resolvida no Brasil…fato é que tantos os produtos tec toy e playtronic tinha preço muito alto. Essas dificuldades me fizeram comprar video games de segunda mão, do capitão gancho e importadoras. Até hoje tudo é burocrático para nós…o Governo só quer arrecadar impostos e não quer investir… A nintendo praticamente não quer saber muito do Brasil, a SNK empresa famosa do Neo Geo também foi embora do Brasil e a sega ainda resiste pela a mão da Tec Toy. Infelismente com essa política burocrática que quer arrecadar mais e investir menos, o Brasil não vai para frente e depois o Governo acha ruin as pessoas comprarem produtos piratas sendo que antes mesmo da pirataria o Governo nunca investiu em nada e deu no que deu. valeu!!!!

    • por Bruno Sena
      Publicado outubro 22, 2017 1:01 pm 0Curtidas

      Realmente Helinux!
      Essa questão do governo taxar jogos e videogames como jogos de azar só complica a vida do consumidor. Principalmente levando em consideração que jogos de azar no Brasil são proibidos! Fazendo com que os games tenham um imposto absurdamente alto baseado em um mercado que o governo quer extinguir.
      Eu joguei bastante em consoles clones também, principalmente o Dynavision! Eu até tinha um NES oficial da Playtronic(aliás ainda tenho), mas o preço dos jogos me fez migrar pra um clone com 9999 jogos e ser feliz.

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