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Chernobyl (HBO) | Crítica

Qual o preço da mentira?

Nem só a Netflix é feita de surpresas que a gente não espera. Tolos aqueles que pensam que a HBO era somente Game of Thrones, e tudo tinha acabado ali, talvez só retornando ao auge com Westworld. Chernobyl surgiu para dizer que eles são muito maiores.

Só para citar algumas produções marcantes, a HBO já produziu Band of Brothers, minissérie aclamadíssima e vencedora de diversos prêmios por contar uma das diversas histórias da Segunda Guerra Mundial, e Família Soprano, uma das séries mais renomadas da história, reconhecida por qualquer fã de séries com um espaço entre o top 10.

Pois bem, com alguns fãs desapontados com o fim de Game of Thrones, surgia a pergunta: o que assistir agora? Antes dos episódios de todo domingo, já víamos trailers e cenas da minissérie que estava por vir, mas nada que pudesse revelar a grandiosidade e o drama impecável construído por traz disso. Os órfãos de uma história bem contada abraçaram a causa, e Chernobyl correspondeu.

A minissérie conta a história que muitos de nós já conhecemos como o maior acidente que o planeta já viu, ocasionando milhares de mortes no leste europeu e a crise da União Soviética. O que poucos sabiam é o que havia por trás de Chernobyl, quem eram as pessoas que trabalhavam naquela noite, e quem eram os moradores de Pripyat que viram e sentiram de perto aquele dia.

O primeiro ponto positivo vem na montagem de 5 episódios. Durante a trama, temos a visão da situação por olhares distintos, orquestrada por personagens chave na trama:

  • Anatoly Diatlov e os trabalhadores da usina naquele dia, refletindo o caos presenciado por eles, estando lado a lado com uma monstruosidade sem proporções, e desconhecida até mesmo por eles próprios;
  • Vasily Ignatenko representa os bombeiros e a tentativa de combate ao maior desastre que o mundo já viu, não desistindo jamais dos ideais que o fizeram estar naquela posição;
  • Lyudmila Ignatenko é a população apreensiva com o que tinha acontecido. Aparentemente um incêndio de grandes proporções, mas que se tornou muito pior conforme as horas passavam e a informação chegava;
  • Valery Legasov é a esperança e a sensatez em meio ao caos. O homem que é procurado por ter conhecimento no funcionamento da forma de produção de energia da usina, e tenta colocar ordem na situação para minimizar os danos;
  • Mikhail Gorbatchov recusa apresentações. O líder da URSS é o principal representante das ações e o reflexo do governo perante o caos.

Estruturada a base de personagens e todas as ramificações que a trama aborda, Chernobyl consegue ser impecável no que mais lhe era pedido: o drama. A minissérie já começa tensa, com o momento que tudo aconteceu e a reação das pessoas. A sensação de imersão é nítida, e conseguimos ser levados ao local e tempo que tudo aquilo estava acontecendo, com uma combinação harmônica entre fotografia, trilha sonora e atuações.

Se eu te perguntar algum momento em filme ou série que você sentiu ódio ou pavor, com certeza surgirão diversas situações, em sua maioria fictícias. Mas e quando aquilo que você está vendo realmente foi realidade? Apesar de adaptar algumas situações e personagens, Chernobyl entrega uma história fiel e esclarecedora para quem ainda não conhecia, e também para quem queria entender melhor o que aconteceu em Pripyat, sem medo ou receio de dramatizar aquilo que realmente aconteceu, desde o sofrimento das vítimas da radiação até a necessidade de evacuação dos espaços.

Para você que ainda se pergunta se tudo aquilo retratado pela minissérie aconteceu… sim, é real. O final inclusive é impecável ao explicar as adaptações feitas, e o que aconteceu após o fim da história contada, finalizada com o julgamento dos acusados pela catástrofe. Putz, contei um spoiler do final? Desculpe, mas basta ter acesso a um bom livro de história ou diversos sites especializados no conteúdo, que você teve um mar de spoilers ao seu dispor todos esses anos.

Chernobyl

Chernobyl traz as minisséries documentais para um outro patamar, e confesso que me faz procurar outras do mesmo gênero. É inevitável dizer que temos aí uma fortíssima candidata ao Emmy para tudo que concorrer, afinal eu não consigo achar falhas na produção, do primeiro ao último episódio. O IMDB e a repercussão da trama em mídias sociais com um público que sequer era atraído pelo gênero, estão aí para não me deixar mentir.

Sofrida, pesada e dolorosa. Assim é Chernobyl, retratando tudo como deveria ser feito. A minissérie não funciona para todo mundo, afinal traz uma carga de situações que o público acostumado a finais felizes e histórias Disney não vai ficar nada satisfeito (alô críticos do episódio 4!). Ficamos revoltados e sofremos junto com a história, e a HBO conseguiu mais uma vez marcar a história da TV.

Avaliação

Roteiro10
Atuações10
Montagem10
Trilha Sonora10
Fotografia10
10

Resumo

Homens e mulheres corajosos agem heroicamente para mitigar danos catastróficos quando a Usina Nuclear de Chernobyl sofre um acidente nuclear em 25 de abril de 1986.

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Raphael Riveiro
Idealizador do Dinastia Geek, fanático por séries e games, engatinhando no mundo das HQs. Harry Potter, o universo Tolkien, Liga da Justiça e Tim Burton são o melhor do maravilhoso universo nerd/geek!