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Cascão – Temporal | Resenha

Cascão é um dos personagens favoritos dos garotos, pelo seu jeito espoleta de ser, o organizador das partidas de futebol do bairro do Limoeiro e um dos maiores inventores da turminha (te cuida, Franjinha!). Mas, sua maior fama é aquela que qualquer ser nessa Terra sabe: a de não tomar banho. Em Temporal, Camilo Solano faz questão de quebrar esse paradigma de uma forma genial e sutil.

Temporal conta a história de uma passagem de Cascão na casa do seu tio Gerson, devido a uma viagem de seus pais num cruzeiro. Relutante a princípio pelo período que passaria com o tio , o garoto passa a primeira noite um tanto quanto pensativo pelos tediosos dias que estavam por vir.

Para sua surpresa, no segundo dia de sua estadia Cascão descobre que seu tio tem um “bunker nerd” em sua casa. Um porão repleto de revistinhas do Capitão Pitoco, herói que Cascão tanto ama, máquinas de fliperama e diversos outros jogos que permitiriam passar ali horas e horas. O que mais chama atenção dele é um carro, criado pelo próprio tio e inspirado em uma das aventuras de seu grande herói.

O que era para ser um período de chateação e isolamento de Cascão passa a ser de descoberta e diversão, conhecendo um outro lado de seu tio que jamais imaginou e levando o garoto a despertar seus grandes dotes, por meio da diversão e criatividade o levando a mundos nunca antes vistos com a parceria de seu tio Gerson, que assim como Cascão, usa da imaginação para fugir de nosso mundo.

A graphic caiu como uma luva no momento que vivemos, isolados em quarentena em nossas casas. Assim como Cascão, devemos buscar novas possibilidades e despertar nossa criatividade rumo a novos mundos e momentos, proporcionando assim a alegria para os nossos dias, despertando aquela criança que nunca dorme bem no fundo de nossos corações. Desde aprender a fazer um artesanato ou até tirar a poeira da caixa daquele jogo antigo guardado, tudo vale para voltarmos aos bons tempos.

Por falar em tempo, meus parabéns pela genialidade por trás da escolha do nome da graphic. Quando falamos de Cascão e temporal, logo pensamos numa tempestade chuvosa, certo? De fato, durante a passagem de Cascão na casa do tio Gerson não para de chover um minuto sequer, remetendo diretamente ao nome da graphic. Mas, Camilo Solano faz questão de usar os outros significados da palavra de forma muito bem colocada.

A história é cheia de referências ao tempo das coisas. O tempo que Cascão passa pensando no que fazer naquele período ali sem ter com quem brincar, o tempo que ele próprio não vê passar depois de descobrir as maravilhas que seu tio guardava no porão, e o principal de todos é o tempo revivido pelo tio a cada brincadeira com as aventuras do Capitão Pitoco. Brilhante e sutil, como bem disse Maurício de Sousa no prefácio dessa bela história.

Com relação a arte, Camilo Solano faz questão de contrastar a palheta de cores no decorrer de Temporal. Indo de cores escuras e um tom mais sombrio durante o tempo de incerteza de Cascão durante a chegada na casa do tio Gerson, a cores vivas e alegres na passagem pela imaginação dos dois a bordo do carro do Capitão Pitoco, traduzindo bem as emoções em cores, como uma boa história tem de ser contada.

Cascão – Temporal entra no hall das histórias que mais gostei do selo Graphics MSP, chegando no momento certo em minhas mãos, quando precisamos de esperança, criatividade e diversão, para nos mantermos sempre jovens e vivermos dias melhores no futuro.

                                                                                                              

Arte
10
Composição
10
Diagramação
10
Enredo
10
Personagens
10
Acabamento
10
Voto do Leitor(a)0 Votes
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10
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