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Alto Mar (Netflix) | Crítica

Netflix e as suas gratas surpresas que chegam e nos chamam a atenção. Desde o trailer de divulgação de Alto Mar, alguns pontos me chamaram a atenção para aguardar ansiosamente pelo seu lançamento: produção espanhola, assassinatos e uma ambientação nos anos 40.

A série de 8 episódios conta a história da viagem de um navio de luxo da Espanha até o Brasil, que tinha tudo para ser pacífica e célebre uma vez que um grande casamento movimentaria os tripulantes, mas que é atrapalhado por um misterioso assassinato nas primeiras noites de viagem.

Alto Mar

Carolina e Eva, duas irmãs que perderam o pai num trágico acidente de carro, embarcam no navio as pressas, e levam consigo uma mulher que só queria fugir da morte. Do que ela foge e porque ela escolhe o navio como escapatória? Esse é só um dos mistérios que movimentam o início da trama.

Aos poucos, vamos conhecendo os personagens e os ambientes do navio, parecendo que estamos sendo apresentados a mais uma jogatina de Detetive – Edição Especial Oceano Atlântico. A cantora, a escritora, o investigador, o capitão, o velho rico, o mecânico e o golpista, são só alguns dos personagens que posso citar, com histórias diferentes e motivações aparentemente dispersas uma da outra.

O clima do assassinato ocorrido só nos motiva a cada vez mais se perguntar quem realmente é inocente naquela tripulação. Com boa parte da história focada em Eva como a personagem principal e narradora de tudo que acontecia, nem a própria está totalmente inocentada numa trama que introduz um novo mistério a cada episódio.

O que me incomoda um pouco na série é a profundidade dos mistérios, que são resolvidos tão rápido, tornando-os rasos demais e perdendo o potencial que tinham de ser muito maiores e surpreendentes. O único mistério grandioso me pegou de surpresa, e nem sequer deixou pistas durante os 8 episódios, trazendo um plot final digno de uma boa história de mistério.

A fotografia é belíssima, trazendo a tela uma ambientação impecável dos anos 40, pelos figurinos suntuosos dos personagens e as acomodações do navio, tornando inevitável a comparação a Titanic. O tema principal é simples mas cativante, dando um ar de emoção aos momentos chave da trama, e conseguindo marcar presença em nossas cabeças por um tempo após desgrudar da tela.

Por mais que exista uma diversidade de personagens com características diferentes, a atuação de poucos se destaca. Ivana Baquero (O Labirinto do Fauno) como Eva é um dos nomes mais conhecidos do elenco, e se destaca pela atuação ora investigativa, ora dramática. Jon Kortajarena (Quântico) tem uma crescente considerável no papel de Nicolás, mas entrega mais do mesmo quando é realmente exigido e tem espaço para ousar.

Entre acertos em cheio e deslizes de roteiro e atuação, Alto Mar infelizmente não pode ser colocada lado a lado com uma história de Agatha Christie, mas figura em um lugar de respeito dentre as produções espanholas, podendo, quem sabe, construir algo maior daqui para a frente. Potencial tem, basta ajustar os motores na medida certa, e zarpar rumo a uma crescente de sucesso.

Avaliação

Roteiro7
Atuações6
Fotografia9
Trilha Sonora7.5
7.4

Resumo

Anos 1940. Carolina (Alejandra Onieva) e Eva (Ivana Baquero) são duas irmãs que partem da Espanha rumo ao Rio de Janeiro em um navio transatlântico à procura de um futuro melhor. Na mesma viagem, está presente o oficial Nicolás Salas (Jon Kortajarena), um homem que surge na hora e no lugar errados. Quando um passageiro de quem ninguém se recorda é assassinado, todos viram suspeitos e uma teia de mentiras vem à tona.

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Raphael Riveiro
Idealizador do Dinastia Geek, fanático por séries e games, engatinhando no mundo das HQs. Harry Potter, o universo Tolkien, Liga da Justiça e Tim Burton são o melhor do maravilhoso universo nerd/geek!