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Afogada pela luz do luar, enforcada pelo próprio sutiã

É difícil colocar em palavras o quão doloroso foi o dia 27 de dezembro de 2016. Há muito eu queria escrever a respeito, mas hoje senti essa urgência de falar com outros, como eu, que foram tocados profundamente pela pessoa inesquecível que foi Carrie Fisher. Lembro do momento exato que li sobre sua passagem e do soluço que irrompeu de meu peito, como se tivesse perdido alguém da família. E meio que perdi…

“A única coisa pior do que ser machucada é todo mundo saber que te machucaram.”

Eu “conheci” Carrie como muitos de vocês, através de Leia Organa. A princesa mais incrível que já surgiu. Ela era bonita, inteligente, batalhadora, lutava por seus ideais e, de quebra, tinha um Han Solo ao seu lado. A princesa bateu de frente com o maior vilão das galáxias, sem qualquer medo! Era 1983 (momento velhice) e O Retorno de Jedi foi um dos primeiros filmes que vi no cinema. Lembro de ter saído do cinema empunhando um blaster imaginário, querendo ser como ela. Aí eu cresci. E conheci o outro lado de Carrie Fisher. Todos amamos a Leia, mas é sobre esse lado que eu quero falar…

“Se minha vida não fosse engraçada seria verdade, e isso é inaceitável!”

Carrie era filha de Debbie Reynolds e Eddie Fisher. Seus pais já eram atores/cantores famosíssimos e ela nunca soube o que era ser anônima. Quem não se lembra do trabalho de Eddie, deve lembrar-se de que ele foi um dos maridos de Elizabeth Taylor. Carrie tinha dois anos de idade quando seu pai deixou Debbie por Liz Taylor. No ano seguinte, sua mãe também casou-se novamente.

“Tenha medo, mas faça de qualquer jeito. O importante é a ação. Você não tem que esperar ser confiante. Apenas faça e eventualmente a confiança aparecerá.”

Era foi uma criança ávida por leitura! Aquela famosa “rata de biblioteca”. Passou a infância lendo literatura clássica e escrevendo poesias. Mas a paixão pela sétima arte foi mais forte e ela seguiu os passos da mãe. Debutou na Broadway aos 15 anos, no musical Irene, em 1973. Tinha amigos famosos como Michael Jackson e Merryl Streep. Casou-se com Paul Simon, com quem teve um relacionamento ainda oito anos depois do divórcio. Seu relacionamento com o agente Bryan Loud lhe rendeu sua única filha, Billie. Para quem via de fora, Carrie tinha a vida perfeita. Ela era a icônica Princesa Leia de Star Wars! Star Wars, cara!

“É um mundo de homens e show business é a refeição deles, com mulheres generosamente espalhadas por ele como pimentas.”

Não era… E é essa história e a sua personalidade que me faz amá-la. Carrie era bipolar e lutava contra essa doença mental desde a adolescência. Nessa luta acabou se envolvendo com as drogas que a levaram à morte. Ela não tinha medo de falar sobre o assunto. Ou qualquer vergonha! Em 2004 discursou sobre o assunto para centenas de psiquiatras em um encontro anual de psiquiatria. Ela entendia sobre suas fraquezas e tentava vencê-la da melhor maneira que podia.

“Eu sou muito sã sobre o quão louca eu sou.”

 Carrie também era escritora. Foram oito livros publicados, entre eles, três biografias. Uma delas contava sobre o seu relacionamento complicado com a mãe e foi levado para o cinema, roteirizado por ela e estrelado por Merryl Streel e Shirley MacLane, chamado “Lembranças de Hollywood”. Outra coisa que não se sabe muito sobre ela, é que era um excelente script Doctor. O que é isso, tia Mah? Bem, digamos que você escreva um roteiro porcaria, mas a história pode ser boa. Os produtores ligavam para tia Carrie e chamavam ela para consertar a droga que você fez. E Carrie era uma das melhores! Mudança de hábito, Katie e Leopold e Segredos do Coração foram alguns dos quais ela deu seu toque.

“Ressentimento é como beber veneno e esperar que o outro morra”

Quem a conhecia dizia que ela era inesquecível! Não havia como não se contagiar com seu bom humor sarcástico, sua energia impressionante. Permeei o texto com algumas das frases ditas por ela, apenas para dar uma ideia de quem ela era. Meses antes de sua passagem, eu combinei com minha prima tatuadora que eu queria fazer uma tattoo da Leia. Para mim significava ser uma mulher forte, mas ter defeitos e viver com eles da melhor maneira possível. E gravei ela na minha pele também para homenageá-la e agradecer por ser tão importante no meu crescimento.

“Juventude e beleza não são realizações. Eles são felizes subprodutos temporários do tempo e DNA”

Nas filmagens de Star Wars, George Lucas pediu a Carrie para tirar o sutiã. Ela perguntou o porquê e ele respondeu que não se usava roupa íntima no espaço, pois o corpo se expandiria e as roupas não. Ela acabaria enforcada pelo próprio sutiã. Carrie riu muito e disse que quando ela se fosse, era assim que ela queria ir… Afogada pela luz do luar, enforcada pelo próprio sutiã. Essa era Carrie…

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Marcelle Suazquita
Dcnauta que adora a Marvel. Aluna imaginária da Corvinal que sonha em ser uma Elfa e casar com Clark Kent. Responsável - e irresponsável - por dar pitacos em séries, filmes e literatura. Bernard Cornwell é meu lorde e senhor.