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A Morte Te Dá Parabéns 2 | Crítica | Era realmente necessário?

Sequência do primeiro filme de 2017 que foi um tremendo sucesso de bilheteria, A Morte te Dá Parabéns 2 chegou a cinemas com o desafio de manter a essência, mas tendo que convencer o espectador de que a história é realmente boa para manter a sua continuidade.

Partindo da mesma premissa de um dia revivido por várias vezes em virtude de um assassinato, a continuação mostra que desta vez o afetado pelo ciclo sem fim é Ryan (Phi Vu) que toda vez se intrometia durante os primeiros momentos do dia de Tree (Jessica Rothe).

Dessa vez, os desafios que Tree passou no primeiro filme não existem mais, e a percepção que um dia está sendo vivido várias e várias vezes por ele é bem rápida, já que Tree está mais do que experiente de viver esses momentos, e consegue ajudá-lo a lidar com isso.

Um dos principais pontos que despertou a curiosidade do público em 2017, foi o motivo pelo qual acontecia tal fenômeno. O que raios poderia fazer que unicamente a pobre Tree morresse mais de 10 vezes revivendo seu asssassinato, sem que isso impactasse outras pessoas?

A explicação do filme para isso até é sensata, mas em meu ponto de vista, mal explorada, levando o filme a uma mistura de gêneros desonrosa, que acabou levando a ser uma história promissora, mas desajustada.

O primeiro filme tem toda uma pegada de mistério para resolução do assassinato, toques sutis de drama pelo sofrimento de Tree e comédia pela bizarrice de situações que a menina passava, morrendo de diversas formas possíveis.

O que o segundo filme faz é esquecer do mistério, escancarar as portas para a comédia, e quando tenta apelar para o tom dramático, não funciona pela carga toda dispensada no humor. Me fez lembrar aqueles filmes do Adam Sandler, que é uma risadaria o tempo todo, mas na transição para o ato final surge uma lição de moral ou um drama familiar, quebrando a comédia.

Para quem gostou dessa transição, muito bem. Mas a meu ver, me senti enganado por mudar de forma tão brusca a sua essência. O que mais gostei no primeiro filme que tinha sido o mistério pela resolução do assassinato, nem teve nesta segunda parte, me fazendo questionar a necessidade dela.

O elenco do filme se manteve praticamente o mesmo, tendo as sutis inserções de Suraj Sharma e Steve Zissis, como aluno e diretor da faculdade que rola toda a trama. Para uma história já não tão possível de ser explorada sem desgastar, manter o elenco foi outro ponto que prejudicou, pois pudemos ver limitações de atuação.

Como exemplo disso, o papel de Carter (Israel Broussard) que se manteve o filme inteiro como figurante que tinha cinco falas, ao contrário do primeiro filme que assumiu um papel de coadjuvante totalmente significativo pela relação com a personagem principal. Outra atuação desgastada é a de Gregory (Charles Aitken), que já tinha sido suficiente por suas pequenas aparições no primeiro filme e insistiram em manter, proporcionando uma das cenas mais bizarras do filme, que motivou o cinema inteiro naquele digno momento de WTF?!

A trilha sonora do filme é bacana com músicas pop que combinaram com os momentos hilários que o filme traz, e que isso faz muito bem. Fotografia ou outro aspecto técnico a meu ver não é destaque, se mantendo num padrão das demais comédias pastelão que já conhecemos, e criando sensações de perseguição durante as tentativas de cenas de terror, a la Pânico.

A Morte Te Dá Parabéns 2 é um bom filme de comédia, mas que se perde quando tenta ser sério, me fazendo ver claramente que a continuação só foi feita pelo estrondoso lucro obtido na primeira produção. Ao que tudo indica, ainda haverá o terceiro filme. Enquanto houver lucro, infelizmente seguiremos tendo uma história desgastada, sob a esperança de um dia talvez se reencontrar.

Avaliação

Roteiro5.5
Atuação4.5
Trilha Sonora8
Continuidade4
5.5

Resumo

Depois de morrer diversas vezes para quebrar o feitiço temporal que a mantinha presa no dia de seu aniversário, Tree Gelbman (Jessica Rothe) olha para o futuro, tentando escrever uma nova história ao lado de Carter (Israel Broussard). No entanto, quando um experimento científico dá errado, a jovem é forçada a retornar ao fluxo de repetição e, desta vez, morrer não será o bastante para escapar.

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Raphael Riveiro
Idealizador do Dinastia Geek, fanático por séries e games, engatinhando no mundo das HQs. Harry Potter, o universo Tolkien, Liga da Justiça e Tim Burton são o melhor do maravilhoso universo nerd/geek!