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Review | Westworld S02E04 – O Enigma da Esfinge

Mais um domingo se passou, e cada vez mais eu penso que Westworld é uma séries mais complexas e geniais da atualidade. Desde Lost, série que tanto amei e que me introduziu no mundo das séries, eu não me lembro de ter visto uma série que tenha gerado tantas teorias e possibilidades, relacionadas a ciência e tecnologia, com toques de religião e misticismo. Não é uma mera coincidência, já que J.J. Abrams, aquele mesmo de Lost, também é produtor executivo da aposta do momento da HBO. Vamos aos fatos que aconteceram neste episódio, e no que eles agregam naquilo que já conhecemos de Westworld…

O episódio foi categorizado por muitos fãs da série como o melhor da temporada até então, e um dos melhores da série. O que é muito curioso é que o episódio não funciona sozinho. Confesso que tive de assistir por três vezes afim de encaixar todas as conexões que ele proporcionou, visto a grandiosidade construída neste domingo.

“O Enigma da Esfinge” tem como personagem destaque, William (já viu que vem coisa boa por aí, né?). Dolores e seu bando não aparecem nesse episódio, mas sua ausência não tira a qualidade que Westworld mantém e só aumenta ao decorrer da temporada.

A principal trama contada neste episódio é a relação entre William e James Delos, o chefão da corporação DELOS. Recluso em uma espécie de cela, quarto, aquário ou como queiram, James (ou como carinhosamente os fãs apelidaram de vovô Delos) é observado 24 horas por dia por William e os demais cientistas do laboratório de experimentações.

A genialidade que esta cena traz é algo que além de muito bem construído, revela um dos principais mistérios da série até então. James Delos está morto, então como raios vemos ele na cena com William que ocorre em três momentos da história distintos? Pois é… aí que tudo começa a ser revelado para nós. O experimento consiste na transferência de memórias de um humano para um anfitrião. Sim, o vovô Delos que nos é apresentado, nada mais é do que um anfitrião em observação.

O experimento ainda não é um sucesso, tanto que a cada momento da história que passa, perceptível pela fisionomia de William, vemos que James vai evoluindo aos poucos. Desde colocar o leite na xícara, que era uma dificuldade imensa na primeira visita de Willian, até a fala durante um diálogo sentados na poltrona, James Delos consegue a cada momento mais convencer que a tecnologia está a beira da perfeição. O que não se torna realidade visto que a última visita de William, com James já a 35 dias vivo naquele mesmo experimento, acaba não passando na entrevista montada para sua aprovação mais uma vez, e é esquecido por William, que aparentemente desiste de novos esforços para seu projeto.

O que vale ressaltar nessa sequência de cenas é a genialidade que ela foi construída. Desde a fotografia belíssima proporcionada pelo jogo de câmeras, nos enganando quanto a impressão de que estávamos dentro de um laboratório, até a atuação impecável de Peter Mullan como James Delos. É digna de ver e rever.

Alheio a toda essa história contada no episódio, a saga em Westworld continua. Bernard que havia sido capturado pelo bando de Dolores, é abandonado por Clementine em uma caverna inóspita. Lá ele reencontra Elsie, que lá na 1ª temporada havia sido retirada dos controles do parque pelo próprio Bernard a pedido de Robert Ford.

Após uma lavação de roupa suja, Bernard tem reflexos em seu corpo devido falta líquido cerebral afim de manter estáveis seus sinais vitais e consciência. Elsie resolve de forma paliativa para que Bernard ao menos possa guiá-los até um lugar seguro, mas é aí que começa a viagem de Bernard. Viagem? Porque viagem?

Não, ele não viajou para nenhum lugar além do parque nem nada. Digo como viagem a constante inconsistência temporal pela qual o personagem e nós passamos. Sem brincadeira, este episódio passa por 5 ou 6 momentos no tempo diferentes. Sim senhoras e senhores, em 1h10 de episódio nós viajamos no tempo tudo isso. Achou que eu exagerei quando disse que o episódio era de uma tamanha complexidade?

Pois bem, além dos tempos diferentes mostrados nas cenas de William e Delos, Bernard tem lampejos em sua consciência de memórias que o guiam até achar um laboratório oculto na caverna em que ele está com Elsie. Nas lembranças de Bernard, conseguimos ver cenas interessantes, como a agressão de anfitriões pré-moldados aos cientistas, incluindo um assassinato cometido pelo próprio Bernard a sangue frio, e uma das cenas mais curiosas é a criação a partir de uma impressão 3D, de uma peculiar bolinha vermelha.

Não é muito explicado o que aquela bola significa, mas nos leva a crer que aquela pequenina esfera guarda as memórias de um humano! Sim, aquela coisinha de nada é que possibilitou o experimento que trouxe James Delos de volta a vida por meio de um anfitrião, e que pode mudar toda nossa percepção sobre Westworld!

Naquele mesmo laboratório, é aonde está a fatídica cela que abrigou James Delos por tanto tempo, e que inclusive a última versão acompanhada por William ainda está lá, e chega a confrontar Bernard e Elsie.

Ainda sobre a bolinha vermelha, Bernard se recorda que criou uma delas num futuro não tão distante, e que esta abrigaria as memórias de um outro humano. Quem será o outro humano que a todo momento estamos achando que é um anfitrião? Será que já o conhecemos? Ou será de algum humano já conhecido e que está por aí em outro corpo? Seria Robert Ford?!?

Eu avisei para vocês que o episódio era punk, mas prometo que estou chegando ao final… Rolou Bernard, rolou William jovem, mas e o nosso querido Man in Black? Sim, ainda tem a parte dele.
Durante sua jornada rumo ao oeste, aonde aparentemente o plano de Ford leva todos os anfitriões, William se depara com os Confederados, aqueles mesmos que foram traídos por Dolores no episódio anterior.

Causando o terror pelo vilarejo, o general confederado usa e abusa da população que ali vivia.
Para acabar com a matança, William propõe um acordo em que diria ao general como chegar até Glory. Depois de aceitar o trato, o general é traído depois de um discurso impecável de William:

“Você acha que conhece a morte, mas não a conhece. Não a reconheceu sentada na sua frente agora mesmo.”

Palmas para William que em uma digna cena de bang-bang acaba com os confederados. Pela manhã, ruma do vilarejo para continuar seu caminho. Até que, uma mulher o encontra a cavalo.

Pois é, lembram-se da mulher de Mumbai World, o mundo dos elefantes e do tigre? Eis que aí está a filha de William!
Um tapa na minha cara que errei meu palpite na review do episódio passado, mas é por essas e outras que Westworld fica cada vez melhor!

Um episódio sem muitas coisas novas e possibilidades, mas sim que trouxe elementos que possibilitam cada vez mais nossa mente ir se estreitando em busca de explicação para esse mundo louco de Westworld!
Definitivamente, Shogun World aparecerá no próximo episódio pelos trailers que já estão disponíveis. E aí, preparados para mais uma explosão de teorias no próximo domingo?

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Raphael Riveiro
Idealizador do Dinastia Geek, fanático por séries e games, engatinhando no mundo das HQs. Harry Potter, o universo Tolkien, Liga da Justiça e Tim Burton são o melhor do maravilhoso universo nerd/geek!