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Review | S08E03 – “Monsters” – Quem são os verdadeiros monstros?

Qual é a diferença entre os Salvadores e os aliados de Rick? Afinal, todos são sobreviventes em um mundo tomado por zumbis, um mundo do cada um por si, mas que também garante uma sobrevida caso grupos, com interesses em comum, se formem. O mundo já não é o mesmo (roubei essa frase de todos os trailers da Marvel) desde que vírus se espalhou e ao longo dessas 8 temporadas observamos regras sendo criadas e quebradas em nome da sobrevivência.

O episódio deste domingo, 05, mostrou que existe uma linha tênue entre o certo ou errado, e dependendo do ponto de vista o vilão pode até ser Rick e não Negan. Como questionou Morgan, certo e errado caminham lado a lado no desenvolvimento da série e o arco desta temporada parece ser a redenção da moralidade em nosso protagonista. Será que a misericórdia prevalecerá a ira?

O episódio começou com uma brincadeira na edição, novamente apostando em linhas temporais diferentes, apresentadas ao mesmo tempo, onde Ezequiel e Carol comandam o núcleo do Reino em direção a um posto avançado e mostram que mesmo que em minoria podem vencer se usarem a estratégia correta. Confesso que o otimismo do rei, que às vezes irrita, já mostrava claramente que ia dar merda uma hora ou outra. A princípio deu certo, mas no final vemos que talvez tenham caído em uma armadilha.

O Aaron perdeu o seu amado Erick (ah vá, sério que ele morreu?) e se mostrou um grande ator de novela mexicana (Aaron Paolo Daniel Bracho Gonzalez). Às vezes a série perde a oportunidade de fazer alguma despedida diferente, porque essa do corpo virar zumbi e sumir tá cansando já, e vamos ser sinceros, ninguém ligava pro Erick. Algo me diz que o arco de Aaron cruzará com o de Jesus e talvez eles recebam uma “gracie”.

Já o querido (????) Moralez durou menos tempo que  brigadeiro em festa de criança. Sua volta foi mais um fanservice do que uma necessidade. Tudo bem que o diálogo entre os dois trouxe algumas questões a se pensar. Afinal, ambos saíram de Atlanta pra cuidar de suas famílias e a jornada os transformou. Rick não é mais o mesmo e suas atitudes, mesmo que em nome da proteção ao seu grupo, são muitas vezes questionáveis. Pra nós ele pode até ser um herói, mas Morales o enxerga como um “monstro”, afinal quem cuidou dele e deu uma chance de viver “melhor”, foram os Salvadores. Negan é seu herói e o nosso Xerife é antagonista ao benfeitor do Santuário. Mortes, mesmo que assustadoramente cruéis, como a de Abraham e Glenn são necessárias, no seu ponto de vista, para se estabelecer a ordem e a “paz”.

Em meio ao seu discurso, Morales afirma que se fosse Rick em seu lugar, um tiro já teria sido dado. Neste momento Rick parece talvez se questionar, mas é interrompido pela flecha de Daryl que atravessa o corpo do salvador com a mesma agressividade que nosso arqueiro responde Rick. “Sim, eu sei quem ele é.” O  pai de Carl, parece se assustar com o sangue frio do amigo. Perto do final do episódio eles encontram um sobrevivente do massacre ao posto avançado, e questionam sobre as armas. Rick dá sua palavra que nada acontecerá se ele ajudá-los, mas foi só a informação ser compartilhada que Daryl estoura os miolos dos delator. O sangue frio, novamente, assusta o líder de Alexandria. Será que a amizade ficará estremecida com a sede de vingança de Dixon?

No núcleo da Colônia, tivemos um pequeno carreto de reféns de guerra enfrentando alguns zumbis que bizarramente caiam da Colina e assim permitindo uma pequena fuga. Morgan os persegue e mata um salvador. Ao ser questionado por Jesus, ambos entram em combate em uma belíssima cena de luta. Que coreografia linda. A habilidade de luta de ambos foi muito bem aproveitadas e quando parecia que Jesus, no melhor estilo “já acabou jéssica?”, parecia ter vencido a luta, Morgan aponta seu taco ao pescoço de Jesus e questiona o que certo a se fazer? Afinal, não é certo matar outras pessoas, porém não é errado eliminar aqueles que façam mal a eles. Quem pode julgar aquelas pessoas? Quem pode dizer que elas são as vilãs? Alguém sabe o que elas passaram pra seguir a Negan?

Ao chegar em Hilltop, Jesus e Tara encontram Maggie, que acabara de dar uma chance (outra?) a Gregory. O traidor usou um discurso emocional (e falso) para tocar o coração da (um dia religiosa) Viúva. A nova líder de Hilltop precisa tomar muitas decisões, afinal depois do ex-lider, precisa decidir se receberá os salvadores presos em sua colônia. Por mais que tenhamos raiva dos comparsas de Negan, o fato é que ao acabar a guerra eles terão de conviver no mesmo mundo, a menos que eles matem a todos. ( sim, por favor!)
O engraçado é que mesmo sendo recebido por Maggie, quando Jesus tenta alocar os prisioneiros em Hilltop, Gregory se impõe, afirmando que eles são monstros.

O episódio acaba com um ataque inesperado, provavelmente pelas armas de alto calibre que Rick procurava em outro posto avançado, ao grupo do Reino. Parece que muita gente morreu ali e muitos para proteger o rei. Será que o monarca foi dessa pra melhor?

Com certeza tivemos o melhor episódio da temporada e nesse ponto já podemos refletir que em uma guerra todos são monstros. No geral a trama até poderia ter evoluído mais, porém tanto o roteiro, quanto o desenvolvimento da trama estão em um ritmo que melhora muito em relação ao que vimos no ano anterior. Vida longa à Walking Dead.

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Neto Sambora
Nerd e Publicitário da cidade do sanduíche. Amo chocolate, hambúrguer, Coca-Cola zero (sim, sou estranho!) e tudo que o Mark Millar escrever. Não me julguem, mas conheci Star Wars com o Ameaça Fantasma e sou fã do Nicholas Cage!