Resenha | Deuses Americanos: Mitologicamente mitando!

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Quando Shadow saiu da cadeia, depois de três anos confinado, tudo o que ele queria era sossegar ao lado de sua esposa Laura e seguir sua vida. Esse foi o motivo pelo qual ele não se meteu em qualquer confusão lá dentro. Infelizmente para ele, e felizmente para nós, o destino interveio e Shadow é contratado para trabalhar para o misterioso Sr. Wednesday. E nós leitores embarcamos junto com ele em uma aventura sensacional pelos Estados Unidos.

Em Deuses Americanos, Neil Gaiman nos entrega o que ele faz de melhor. Mostra porque é considerado um dos autores mais criativos e inventivos de sua geração. Ele brinca com a mitologia sem qualquer esforço. Nos relembra Deuses antigos – nórdicos, egípcios, saxões, e mais – e os une com novos, que a nossa sociedade criou. E nos dá a melhor descrição de Deus que já li.

Entramos em um mundo mágico e louco pelos olhos de Shadow. Nós acreditamos desacreditando assim como ele. É muito fácil se colocar em seu lugar e vivenciar as surpresas, as dúvidas e finalmente a aceitação, como se nós presenciássemos tudo junto com ele. É um personagem crível, real, mesmo quando o resto da história não é.

O ponto alto, sem dúvida nenhuma, é a inserção dos Deuses na sociedade americana. Os antigos pagãos que vieram com os imigrantes, enfraquecidos, lutando por seu lugar, no meio de pessoas que não tem mais qualquer crença neles. Eles, liderados por Wednesday (que não direi qual Deus é porque vou deixar vocês, leitores, descobrirem. Mas é muito legal!), tentam se unir para uma batalha final contra os novos Deuses. E quais são esses novos Deuses? A Internet, a TV, a tecnologia, o shopping center…

E se já estava bom imergir nesse mundo de mitologia, isso deixa o livro ainda mais incrível! A sacada de o Deus da internet ser um moleque gordinho e mimado é demais. E a sequência da deusa da TV, na pele de Lucy da série “I love Lucy”, sugerindo “mostrar os peitos” para conseguir o que queria é deliciosa.

Deuses americanos é para aquela pessoa que gosta de uma história que exige reflexão, mas também para aqueles que só querem ler como entretenimento. Tem uma narrativa gostosa, envolvente, com personagens divinamente, perdoe o trocadilho, construídos. A crítica à sociedade americana está lá, latente, mas ela não é agressiva. Quando enfim o clímax nos traz quem é realmente Shadow nós ficamos sem palavras… Ainda bem que Neil Gaiman tem todas elas!

Não posso dizer que essa é a obra prima de Gaiman na literatura – nos quadrinhos nada superará Sandman e Death para mim – porque ainda faltam vários do autor para eu ler, mas que está no Top 5 podem ter certeza que está.

E para quem se interessar, o canal Starz está produzindo a série baseada no livro, que estreou em 30 de abril deste ano. No Brasil, ela é transmitida para os assinantes do Amazon Prime Video. Está sensacional, mas esse papo fica para um próximo texto.

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