Jogador Nº 1 – Filme x Livro

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Jogador Nº 1 é aquele filme que está despertando a curiosidade de todos os fãs da cultura pop, seja pela temática ambientada no universo virtual da OASIS, ou também pelas zilhares de referências que Steven Spielberg trouxe para o cinema.

Nem todo mundo sabe, mas o filme foi inspirado no livro de 2011, do escritor americano Ernest Cline. Foquem muito na palavra inspirado durante este texto, já que para quem leu o livro, o filme tem muitas diferenças! São elas tão boas ao ponto de melhorar a história ou são ruins e atrapalharam o decorrer da trama? Isso eu vou trazer para vocês, justificando algumas delas…

AH, NÃO PRECISO NEM FALAR QUE ESTE TEXTO ESTÁ REPLETO DE SPOILERS, SEJA DO FILME OU DO LIVRO, OK???

As memórias de Halliday

No filme, as memórias de James Halliday estão presentes em um gigantesco museu interativo, onde todas elas são acessadas como cenas de um filme. Graças a isso, Wade consegue dicas preciosas para seguir sua jornada pelos portões e suas respectivas chaves.

No livro, não existe nada relacionado a um museu, ou até mesmo acesso as memórias de Halliday através de um formato visual. O que existe, seja em forma impressa ou em e-book, é o Almanaque de Anorak, avatar de Halliday no OASIS. O Almanaque contemplava todos os livros, filmes, séries, animes e muito mais que James já tivesse assistido durante sua vida, para que a partir dos gostos pessoais do criador, os jogadores pudessem obter dicas para caça ao easter egg.

O Primeiro Portão

Principal atrativo dos trailers do filme, o Primeiro Portão no cinema é representado a partir de uma corrida entre todos os jogadores habilitados para ela.O DeLorean de Wade já é destaque desde essa parte da jornada.

No livro, o Primeiro Portão era um grande mistério, até que Wade descobre uma referência na dica deixada por Halliday, e descobre que dentro de uma caverna no planeta aonde ficava sua escola, havia um desafio de Joust, fliperama clássico, e que este tinha por objetivo derrotar um NPC, programado na mais alta dificuldade para aquele jogo.

Ponto fundamental no livro, assim como no filme, é que no Primeiro Portão há o primeiro encontro entre Parzival e Art3mis, até então uma lenda do OASIS.

Art3mis

Me incomodou muito a personalidade de Art3mis representada no filme. Habilidosa e destaque entre seus pares, encanta Parzival assim como aconteceu no livro. A grande diferença é a interação entre eles.

Art3mis no livro é muito seca e direta com Parzival, deixando-o desconcertado por diversas vezes. Isso até é representado no filme, na cena da oficina do Aech, mas é algo tão rápido que nem podemos sentir pena do pobre Wade sonhador.

Daito e Shoto

Amigos japoneses que se conheceram no OASIS, a aparição deles no livro é bem mais construída e turbulenta.

Desconhecidos até a conquista do Primeiro Portão, passam a se unir a Parzival, Art3mis e Aech a partir do momento que se vêem perseguidos pelos Seis, na caça incansável pelos top 5 do ranking. Muito ariscos e receosos de se juntar ao grupo, seguem uma jornada solitária, até que a única alternativa para a sobrevivência seria a união com o grupo.

Detalhe importantíssimo é que nem essa união possibilitou a força de todos os membros. Daito é assassinado a sangue frio na vida real pelos membros da IOI, que o jogam do alto de um prédio no Japão.

Enquanto isso, no filme são apresentados como parceiros desde o início do grupo, e aparentemente vivem na mesma cidade que o restante do top 5 na vida real, já que não é citado em nenhum momento a civilização fora das pilhas.

i-R0K

De valentão da escola a braço direito do grande vilão da trama. Para mim, foi uma das boas escolhas que o filme fez.

No livro, i-R0K nada mais é do que aquele chato valentão da escola, que só quer provocar Parzival e Aech, se gabando sobre maiores conhecimentos da cultura pop (apesar de saber bem menos do que os dois). Não tem representatividade nenhuma na caça do easter egg, só aparecendo no ínicio da trama, quando Wade ainda tentava descobrir o Primeiro Portão.

Já na telona, o personagem foi representado de forma genial, como o capanga braço direito de Sorrento, líder da IOI. O tom de humor e as batalhas trazidas pelo personagem, são um grande adendo ao filme.

A integração entre o Top 5

Ponto extremamente negativo do filme em minha opinião. O top 5 se conhece de forma muito repentina no mundo real, sendo Art3mis e seu bando desconhecido, responsáveis por resgatar Wade para protegê-lo da IOI. Dessa proteção, surgem (não sei de onde) Aech, Daito e Shoto. Felizes para sempre como amigos que a gente conhece de anos. O fato preservado foi a surpresa pelo estereótipo de Aech no mundo real, até então uma surpresa para todos.

No livro, a construção é muito melhor, desde emoção, surpresa, até curiosidade por parte do leitor. Nenhum dos membros do top 5 se conhece até a união deles no Terceiro Portão. Sim, todos efetivamente se unem só no Terceiro Portão, já que a treta estava armada e não tinha mais para onde correr.

Para que isso fosse possível, todos eles tiveram que se reunir na vida real em um único lugar, já que a localização deles estava nas mãos de Sorrento. Quem possibilita essa integração de todos? Ogden Morrow! Pois é, o braço direito de Halliday oferece abrigo ao top 5, fornecendo recursos para que todos se conectassem a OASIS, a partir de uma base com rede extremamente rápida em sua casa. Aí sim acontece a surpresa pelo encontro com Aech, que leva Wade até o encontro de Og, aonde Shoto e Art3mis já estão conectados a OASIS.

Ué, mas e o namorico entre Wade e Samantha, que trocam olhares amorosos, quase rola um beijo e coisa mais? Pois é, a magia do livro está nisso. Eles só se conhecem no mundo real nas últimas páginas! E aí sim, rola a atração amorosa que foi construída durante toda a trama.

O Terceiro Portão

Com a treta formada em torno do Castelo Anorak, local do Terceiro e último Portão, o top 5 (agora top 4), junta cada um o seu robô gigante para duelar com a IOI, que até então estava bolando planos para abrir o Portão.

No filme, apenas Wade possui seu robô gigante para duelar com Sorrento, mas no livro cada personagem tem o seu robô, inspirado nos animes japoneses. A batalha termina de forma igual tanto no filme quanto no livro: o Cataclista destrói com tudo e todos na região, sobrando apenas Parzival para ir rumo ao Easter Egg. O que muda é graças a que ele sobrevive…

O filme mostra de forma muito surpreendente, que Ogden Morrow era o mordomo do museu de lembranças de Halliday, e este deu para Parzival uma moeda que valia uma vida extra. No livro, como não existe museu, também não existe mordomo. Logo, Parzival conquista a moeda em uma partida de PacMan, batendo o recorde histórico do game! Quando ganha a moeda, ele não dá importância nenhuma, já que não sabia o significado, assim como no filme.

UFA! Viu uma pancada de diferenças? Minha maior revolta com o filme, fica mesmo na integração entre os personagens, e a repercussão que isso gera na trama final. Em resumo, o livro me trouxe muito mais emoção e curiosidade, de conhecer os personagens, do mistério de quem cada um era, do que no filme. A magia exposta por Ernest Cline através das diferenças entre real e virtual, é representada de forma brilhante no livro, principalmente no relacionamento Parzival e Art3mis.

Ah, então você odiou o filme? Não! Muito pelo contrário, eu adorei tanto que vi duas vezes no cinema, e aguardo a versão blu-ray colecionável para minha estante. Jogador Nº 1 se tornou uma das grandes obras de Steven Spielberg, adaptando um excelente livro para a telona, com uma trama bem construída, cheia de diversões para o público geek com as centenas de referências que ele proporciona.

E você? Já viu ou filme ou só leu o livro? Tem alguma diferença que não citei aqui que você considera fundamental para o andamento da trama? Conta nos comentários, será um prazer discutir essa obra-prima da literatura e do cinema!

2 COMENTÁRIOS

  1. Eu estava morrendo de medo de ver esse filme justamente por ter sido um livro que eu gostei tanto e com certeza iam rolar muitas modificações pra ficar com mais ação nas telonas, então adorei ler essa matéria pra decidir assistir o filme e me preparar mentalmente pras mudanças hahaha

    • Oi Kamii!

      Fico feliz que tenha gostado do texto! Vale muito a pena sim ver o filme. Também adorei demais o livro, e arrisquei lendo antes do filme, até mesmo para criar esse ar de comparação.

      Não me arrependo de ter feito isso. Apesar do filme pecar muito na interação dos personagens, as referências e a diversão será garantida!

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