Deuses Americanos – Primeira Temporada: Nós assistimos!

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Deuses Americanos é provavelmente uma das séries mais aguardadas deste primeiro semestre. Para mim, fã de Gaiman, só por contar com o escritor como produtor executivo era quase uma garantia que seria muito boa. A expectativa estava alta, mas adianto a vocês que ela cumpriu exatamente o que prometia. Entregou-me quase uma extensão do livro que gosto tanto.

Sua primeira temporada, transmitida nos EUA pelo canal Starz (depois de ficar na gaveta da HBO por um bom tempo) e pela Amazon Prime Video, no Brasil, conta com 8 episódios de aproximadamente uma hora de duração. Pequenininha, mas seus produtores – que já garantiram que a segunda temporada virá em breve – divulgaram que esse número aumentará no futuro.

Se você leu o livro pode achar a série lenta, pois, nesta temporada ela conta apenas uma parte do livro. Às vezes parece que demora para chegar à algum lugar, no entanto, não acho que isso seja um problema. Acredito que este início seja para apresentar os personagens, os deuses novos e velhos, e, principalmente criar uma empatia com eles. Não precisamos que a guerra entre deuses novos e velhos aconteça agora, toda a preparação e recrutamento é uma crescente para um clímax que virá.

Alguns amigos, que não leram o livro, disseram ter largado logo nos primeiros episódios por achar a série confusa. Não, não xinguei vocês… Eu entendi completamente. Ela não tem uma narrativa linear, onde a história segue apenas uma direção, se desenrolando gradativamente. Deuses Americanos tem a sua história principal, mas pequenas outras que, lá na frente, vão dizer a que vieram. O que posso dizer é: Não desistam, porque vocês vão entender e vai valer muito a pena.

Deuses americanos é um espetáculo visual! As cores quase bregas que combinam completamente com todo o visual do show são escolhidas a dedo. Os efeitos visuais são primorosos, isso cria um ambiente surreal e mágico, onde você não consegue desgrudar os olhos da tela. E tudo é exagerado! Os banhos de sangue, as luzes inebriantes, os jogos de câmera (onde você se perde), tudo é fantasticamente louco, mas ao mesmo tempo você quer saber mais. Tudo permeado por uma trilha sonora perfeita.

Se esse espetáculo não é capaz de convencer vocês a assistir, um fator tem que fazer: Gillian Anderson. Para mim ela era a Scully, e achei muito legal ter ela no elenco, mas não esperava que ela me surpreendesse tanto! Que atriz, meus amigos! Por favor, academia, deem um Emmy para essa mulher! Na série, ela foi Lucille Ball, David Bowie, Judy Garland e Marylin Monroe de maneira brilhante!! Sua deusa, Media, foi muito mais do que eu imaginava.

Aliás, os personagens da série são o que fazem ela tão interessante! Ian McShane é o Mr. Wednesday perfeito. Me apaixonei pelo Shadow de Rick Whittle e o delicioso Mad Sweeney de Pablo Schreiber. A Laura de Emily Browning é um milhão de vezes mais interessante que a do livro (talvez porque seu arco tenha sido aumentado, criando uma história diferente do livro para ela). A M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A deusa Bilquis de Yetide Badaki é provavelmente um dos personagens mais interessantes que já vi na telinha. Que carga dramática, ela não precisa de falas… Seu apogeu e seu declínio está estampado na face desta atriz, e ela está em uma das cenas que eu mais queria ver ser levada para a TV, pois queria saber como mostrariam, e foi brilhante! Além desses, como não amar Kristin Chenoweth como Easter? Impossível!

Agora vamos falar de Orlando Jones, porque ele também merece um parágrafo à parte. Seu Mr. Nancy, ou o Deus Anansi, talvez ganhe uma série só dele, como o primeiro spin off de American Gods. E se não fizerem estão perdendo muito! Anansi aparece na série apenas duas vezes. E em ambas ele rouba a cena de uma maneira que não sei explicar. Simplesmente não dá para piscar, enquanto ele fala, melhor escolha de todas para o elenco!

Os Deuses antigos aparecem na série de duas formas, como pequenos contos no meio ou no início do episódio. Na primeira, em “Coming to America”, a série explica como aqueles Deuses chegaram ao continente, trazido por imigrantes. Na segunda, “Somewhere in America”, Eles são mostrados inseridos no nosso dia a dia. São pequenas histórias bem contadas, interessantes e deliciosas de assistir. Um excelente acréscimo aos episódios!

O mais legal de Deuses Americanos é que ela não é nada convencional. Espere tudo o que você nunca esperaria em uma série de tv… Vai ter nu frontal, sim. Vai ter sexo homossexual entre um Jinn em um muçulmano, sim (uma cena maravilhosa e perfeitamente colocada. Nada gratuito!). Vai ter crítica à cultura armamentista americana e, principalmente, à sociedade ocidental. E nós vamos nos identificar cada vez mais.

Deuses Americanos nos mostram que nós precisamos dos Deuses, mas que Eles também precisam de nós. Nós somos como Shadow, perdidos no meio de um mundo louco, embasbacados com um monte de Jesus Cristos e confusos com nosso futuro. Nós queremos ver mais, que venha a segunda temporada! IMPERDÍVEL!

3 COMENTÁRIOS

  1. Interessante, meu filho está acompanhando e tenho muitos amigos falando bem dessa série, vou colocar minhas séries em dia pra começar a assistir essa! Gosto desse tipo de série “confusa” no inicio e vai se desenrolando pra frente, valeu ótimo trabalho de vcs!

  2. Eu adorei essa série, vc começa e o negócio vai ficando tão intrigante que vc não consegue mais parar de assistir, sensacional!!!

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