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Crítica | Venom – Longe de ser uma bomba, perto de ser um desastre.

No dia que a Sony anunciou este filme, confesso que senti um calafrio tão grande, porque o estúdio já acertou, e isso ninguém pode negar, com o Spiderman, mas eles também erraram muito e em proporção muito maior. O 2 primeiros filmes do Sam Remi são fantásticos, o terceiro é caricato e cheio decisões erradas, como o próprio Venom. Já a fase do Espetacular, apesar de algumas pessoas gostarem de algumas coisas, os 2 filmes foram fracassos de crítica e de público.

Quando surgiu o acordo com a Marvel, acreditamos que seria a salvação da franquia, porém na sequência a Sony anuncia Venom, que seria o primeiro de muitos spin-offs de vilões do teioso. Péssima ideia. Como os antagonistas funcionariam sem o elo básico que os mantém na ativa? O Homem-Aranha.

Para minha surpresa, ao sair da sala de cinema, esse é o menor dos problemas, porque, surpreendentemente, o filme se sustenta sem o cabeça de teia, e partindo do pressuposto que é uma adaptação para o cinema, sua fidelidade (ou não) têm pouco influência para o resultado final do longa, os problemas (e acertos) são outros.

Aliás, o diretor Ruben Fleischer me deixou ligeiramente confuso, porque fui assistir basicamente a um filme de super-herói e ele me entregou uma mistura de terror e comédia, com bastante ação. Não que seja ruim, até porque reflete o seu estilo já visto em Zumbilândia, porém essa quebra de expectativa não surpreende de forma positiva, isso porque nunca sei quando está sendo engraçado de fato ou se a esquisitice imposta pela atuação de Tom Hardy que trás essa impressão.

A direção é extremamente confusa ao tentar impor o tom do filme, e depende de planos em Slow motion pra mostrar os melhores momentos estéticos. O CGI, que me amedrontava antes, não é ruim, mas está ancorado em cortes rápidos, fotografia escura e câmeras tremidas pra tentar esconder qualquer defeito que a olhos nús possa incomodar.

A montagem realmente é frenética, mas não a ponto de confundir e fazer que o espectador perca a referência do que está acontecendo e, só não é pior que o roteiro cheio de furos. As conveniências são mais do que comuns em filmes baseados em HQs, mas isso não pode incomodar de forma tão relevante, os personagens mudam de opinião por motivos pífios, e não são simples mudanças, são pontos de viradas para todo enredo da trama.

A forma como o som faz mal ao simbionte (e isso não é spoiller, já está no cânone do personagem) é repetida umas 10 vezes e diálogos extremamente expositivos são constantes durante todo a história.

Algumas construções de personagens são desastrosas, como Carlton Drake (Riz Amehd), uma espécie de Elon Musk do mal, que o roteiro tenta vender ser um gênio, mas em momento algum transmite esse arquétipo com credibilidade. Sua empresa, a Fundação Vida, é uma das mais modernas do EUA, mas não tem o básico de qualquer posto de gasolina, câmeras de segurança. Capangas burros, cientistas tapados e falta de proteção a segredos da empresa são tão frágeis e jogados na trama da maneira mais aleatória possível. Desastroso.

E você deve estar perguntando agora: mas o que tem de bom? Eu te digo: Tom Hardy. Sua atuação como Eddie Brock, apesar de algumas horas soar como um Nicolas Cage vitaminado (e isso não é ruim, acreditem), é espetacular. O roteiro ruim as vezes o prejudica, porque tem que tomar decisões burras, mas no fim ele entrega o que tem melhor no filme, a relação dele com Venom é instigante e particular e não tem como não se interessar em acompanhar a sua trajetória.

E é quando o longa aposta nesta relação que sai do senso comum e entrega um ritmo agradável. O melhor da história é o Venom, e mesmo nos piores momentos do filme, ele ainda é um personagem interessante, inclusive no ponto de vista estético. A luta final lembra muito alguns enquadramento de Todd Mcfarlane.

Talvez a gente esteja ficando chato demais, afinal alguns filmes recentes de heróis jogaram o sarrafo muito pra cima, mas mesmo em um mar de erros, Venom não era a bomba que eu pensava ser, há diversão massa veia, se você não quiser pensar em furos e conveniências, pode se divertir e até se empolgar, mas nada que vá além de um bom motivo pra comer pipoca. Eu acredito que um personagem como o Venom merece bem mais do que isso, e o fato de desperdiçar personagens em produções em importância pode ser um desastre.

Avaliação

Direção5
Montagem4
Roteiro3
CGI6.5
Atuação7
5.1

Resumo

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Neto Sambora
Nerd e Publicitário da cidade do sanduíche. Amo chocolate, hambúrguer, Coca-Cola zero (sim, sou estranho!) e tudo que o Mark Millar escrever. Não me julguem, mas conheci Star Wars com o Ameaça Fantasma e sou fã do Nicholas Cage!