Crítica | Star Wars: Os Últimos Jedi – Novas nuances superam velhos clichês na Guerra entre o Bem e o Mal!

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Uma saga tão marcante e cheia de seus próprios clichês como Star Wars pode arriscar-se a trilhar um novo caminho, que subverte ações e escolhas já esperadas em seus filmes, e ao mesmo tempo ser fiel a conceitos básicos que permeiam todos os episódios da série?

A resposta para esta pergunta é respondida nas 2h32 do longa, dirigido e roteirizado por Rian Johnson, que ousa ao tirar todo o maniqueísmo implícito em outros filmes da saga e mostra que na maioria das vezes o fracasso melhor professor é.

Depois do aclamado Despertar da Força, rima explícita de Uma nova esperança, o discurso mais óbvio entre os fãs da saga era de que Os Últimos jedi seria uma espécie de O Império Contra-Ataca, seguindo ações e reviravoltas mais manjadas que o primeiro tiro ser sempre de Han Solo. Mas o longa subverte tudo que pensamos, incluindo os famosos planos para destruir alguma arma ou dispositivo poderoso em seu ponto falho, o que nos insinua seguir a cartilha George Lucas, com reviravoltas que nos surpreendem e arrancam sorrisos e tensão, ao mesmo tempo. Sim, eles sabem o que estão fazendo.

Neste filme as consequências, até das pequenas ações, parecem ter um peso nunca visto em Star Wars. Cada nave perdida, cada pessoa morta é sentida pelos líderes da Resistência, e impetuosas ações, principalmente do novos protagonistas, repercutem de maneira significativa. Aqui que percebemos o cuidado da produção em desenvolver cada personagem secundário.

No núcleo mais novo temos um prepotente e teimoso, mas ao mesmo tempo bondoso e eficaz, Poe Dameron, aqui já comandante (não por muito tempo!) e que às vezes deixa seus impulsos tomarem conta da situação. No mesmo barco temos o tão querido Finn, que tenta agir em nome da amizade, e corre riscos, às vezes desnecessários, em planos mal arquitetados. Somos apresentados a Rose, uma jovem e inteligente integrante da Resistência, que vive seu próprio drama pessoal.

A General Leia, em uma excelente e derradeira atuação de Carrie Fischer (lágrimas, soluços e suspiros!), é o porto seguro do Trio, mostrando que ações que parecem medrosas podem ser tão corajosas quanto um ataque suicida. Incrível como as lições aprendidas por eles, com nossa eterna Princesa, repercutem de forma “orgânica” (Carlos Alberto de Nóbrega curtiu esse trocadilho) e não soam como um discurso bobo e superficial. Atitudes boas podem ter consequência ruins e as mais suspeitas motivações podem ser uma estratégia para resultados surpreendentes.

Por falar na Princesa, e agora General, Leia, só posso dizer: que atuação, meus amigos! Uma despedida emocionante para nós, mas que não tem um arco fechado, propriamente dito. Estou profundamente curioso em como J.J. Abrams irá conduzir a perda de Carrie Fischer no último filme da trilogia. No meio do filme, temos uma cena muito forte e tocante que aperta o coração e ao mesmo tempo nos dá aquele quentinho gostoso.

Mas você deve estar se perguntando e o treinamento de Rey e Kylo? O que houve? Como Luke e Snoke conduziram seus pupilos a lapidar a força presente dentro de cada um deles? A resposta, que antes pareceria determinante para o desenvolvimento da dupla, nos é dada de maneira inusitada. A jornada de descoberta pessoal de cada um, sobre o que é certo ou errado, é o que conduz a trama.

Se por um lado temos um Luke sábio, velho, rabugento e desconfiado tentando (ou não) conduzir uma obcecada e atrapalhada Rey a se descobrir, no lado mais escuro temos um Snoke manipulador que estimula o poderoso e confuso Kylo Ren a entrar em um conflito de poder com o alívio cômico do filme, general Hux.

O mal e o bem parecem tão equilibrados dentro destes jovens aprendizes que os conectam de forma nunca vista. Rey acredita nas pessoas e quer extrair o melhor delas, já Kylo é uma explosão de sentimentos, as vezes bons, outras (e na grande maioria) extremamente raivoso. Ele lembra seu avô, mas de longe porque nem Vader tinha um conflito tão grande dentro de si.

Já que mencionamos um “skywalker”, o que falar do Luke? Mark Hamill entregou sua melhor atuação, explorando todas a nuances de seu personagem que parece cansado de tanta guerra. O poder de Luke é elevado a maior potência possível e temos momentos tensos, engraçados e dignos de aplausos de qualquer fã da saga de George Lucas. O tom cinza do personagem é muito bem explorado e converge a um final apoteótico cheio de cenas emocionantes.

Se o tom cinza impera sobre a maioria do personagens, o mesmo não se pode dizer do visual do filme, que sem dúvida é o mais bonito da franquia. A Direção de Arte e o CGI do filme são tão bem executados, que faz com que alguns filmes deste ano pareçam ter sido feito por amadores. Tudo era muito verossímil. Os Porgs ou o personagem de Snoke, digitalmente bem interpretado por Andy Serkis, não destoava dos cenários naturais como a Ilha e o Deserto de Sal. A fotografia tenta explorar a luz como um personagem no longa dando a intensidade necessária em cada cena.

A imersão que sentimos ao entrar na sala de cinema é de visitar um galáxia muito, muito distante, que pareciamos entender o seu funcionamento, mas que nos surpreende de tantas maneiras diferentes e entrega algo tão inesperado e grandioso que parece nos situar em um lugar novo e inexplorado, ficando cada vez mais evidente que existem muitas histórias diferentes pra contar. Não tem como não sair do cinema revigorado, maravilhado e ansioso pra saber como esta trilogia acabará. Star Wars perdeu clichês bobos, que dávamos tanta (e talvez desnecessária) importância, incorporou refrescantes tramas e decisões e nos mostrou que há muito a ser explorado na galáxia. Que a força esteja com vocês.

 

 

Uma saga tão marcante e cheia de seus próprios clichês como Star Wars pode arriscar-se a trilhar um novo caminho, que subverte ações e escolhas já esperadas em seus filmes, e ao mesmo tempo ser fiel a conceitos básicos que permeiam todos os episódios da série? A resposta para esta pergunta é respondida nas 2h32 do longa, dirigido e roteirizado por Rian Johnson, que ousa ao tirar todo o maniqueísmo implícito em outros filmes da saga e mostra que na maioria das vezes o fracasso melhor professor é. Depois do aclamado Despertar da Força, rima explícita de Uma nova esperança,…

Star Wars: Os últimos Jedi

Direção
Fotografia
Trilha Sonora
Roteiro
Efeitos Especiais
Carrie Fischer

ESPADINHAS

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