Crítica | Pantera Negra – O filme que todo mundo precisa ver!

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Se para os mais aficionados por HQs, Pantera Negra deveria ser mais um filme de super-herói nos cinemas, pra grande maioria de “civis”, ou até os nerds menos atentos, até pouco tempo atrás, Wakanda ainda era um lugar desconhecido ou pouco explorado. Muitas pessoas foram conhecer o herói apenas em Capitão América: Guerra Civil (2016). Aí, já se vê a dificuldade de adaptar a história de T’challa para um filme solo.

Se não bastasse isso, a sua importância para as HQs é um legado de luta contra o preconceito, que abriu as portas pra tantos outros heróis negros, tanto na Marvel, quanto na DC. Mas foi ao me sentar na cadeira do cinema ao lado de uma garota negra, que aparentemente não vestia nenhum dos estereótipos geeks, e escutar um “FINALMENTE”, que pude realmente emergir no subtexto de Ryan Coogler e entender o quão importante era este filme.

Coogler, que além de dirigir, escreveu o roteiro junto com Joe Robert Cole, não é apenas um excelente cineasta, recentemente exaltado por seu trabalho em Creed, ele é um fã de quadrinhos, e isso fica mais que evidente na sua maneira de conduzir a história. Afinal, poderia apenas fazer um filme “lacrador” e político, criar sua crítica social em cima de um ícone da cultura Pop, mas não só o fez, como fez isso respeitando a essência dos gibis. Era como se lêssemos uma história de Stan Lee, que sabia como ninguém como colocar um subtexto em inocentes revistas.

Em poucos minutos (poucos mesmo!) temos um prólogo com visual incrível, que introduz Wakanda e abastece até o mais aleatório expectador com tudo que precisamos saber sobre o universo do Pantera Negra. A Marvel tem uma linguagem bem didática para transformar qualquer pessoa em o “entendido”.

A estrutura do longa é simples, respeita a velha jornada do herói, tão bem utilizada em outros filmes de heróis como Homem de Ferro e Mulher-Maravilha, mas não o confunda como um filme simples, porque não é. Seu roteiro tem camadas que, às vezes, chega a assustar o nível de empatia que temos com protagonista e até mesmo com o vilão. A profundidade de ambos os personagens não cai apenas em pequenos clichês de vingança, ambos são como reflexos deles mesmos, e do ambiente em que vivem.

Sim, se Chadwick Boseman nos impressiona como sua atuação firme, entregando um T’challa, a princípio, inseguro, que sente o fardo da morte de seu pai tão pesado, quanto as consequências de atos do passado do antigo rei, temos do outro lado da moeda Erik Killmonger, brilhantemente interpretado por Michael B. Jordan, que é aterrorizado por memórias tristes, que moldaram seu caráter em um ambiente de violência e preconceito, pura realidade fora da bolha de Wakanda. E a escolha entre agir com clemência ou violência, usando tecnologia de Wakanda, em reposta a forma como mundo trata a comunidade negra é o principal embate de ambos. Referência clara a Martin Luther King e Malcon X.

Em qualquer texto sobre o MCU, os olhos sempre se voltam para o vilão, constante problema das produções da casa das idéias, mas Killmonger não só seguiu a ascendente dos últimos antagonistas do estúdio, como entregou o vilão mais poderoso desde Loki, não por ter habilidades, mas por ter motivações, tão plausíveis e sinceras que você se coloca muitas vezes em seu lugar. Mas não se acomode muito nesta posição, porque ele não é um anjo, é manipulador e descarta as pessoas com a mesma facilidade que as usa. Sua oscilação é muito bem construída e sua história se assemelha a de muitos jovens negros que entraram ou entrarão (infelizmente) para o crime.

Mas a trama não envolve somente o embate ideológico ou político, a velha e inquestionável “fórmula marvel” está alí. O tom aventuresco e político é contrabalanceado ao drama, a ação e logicamente ao humor. Isso mesmo, apesar de ser o possivelmente o filme mais sério do estúdio, temos momentos divertidíssimos, principalmente com Shuri (Letitia Wright), a irmã mais nova do rei, que rouba a cena sempre que aparece. Genial e divertida a definem.

O agente Everestt Ross (Martin Freeman),  Ulysses Klaue (Andy Serkis) e M’Baku (Winston Duke) também são alívios cômicos, mas não pensem quem se resumem apenas a isso, seus diálogos além de engraçados, são muito bem encaixados e a importância deles filme não é baseada apenas em piadas gratuitas.

O elenco é recheado de outros atores de calibre como o oscarizado Forest Whitaker (Zuri), o indicado a melhor ator em 2018 por Corra!, Daniel Kaluuya (W’Kabi) e até tem a participação do premiado ator Sterling K. Brown (N’Jobu), o Randall Pearson de This is Us, mas quem brilha são as duas divas, Lupita Nyong’o como Nakia e Danai Gurira como Okoye. A primeira, uma espiã a serviço do rei, que entende que seu país pode fazer mais pelo mundo do que se esconder, e nossa eterna Michonne (sim eu amo The Walking Dead!), uma general poderosíssima e fiel, que faz de tudo pra manter seu rei em segurança. Que atuações primorosas.

Quanto a parte técnica do filme, temos o que possivelmente possa ser o único erro de Pantera Negra: o CGI. Não que seja ruim, longe disso, a capacidade de criação do departamento de efeitos especiais da Marvel foi testado a finco. Criaram um país, com uma arquitetura cheia de identidade, a vegetação e ambientações incríveis. Mas em alguns momentos era nítido que era um boneco digital atuando, e alguns ângulos não contribuíram com o chroma key. Nada que afetasse a experiência ou nos retirasse do filme, mas é algo que poderia ser melhorado.

A fotografia é incrível, com cenas de ação empolgantes e um plano sequência sensacional na cena do cassino. A edição do filme intercala cortes rápidos a planos longos sem a menor dificuldade. A direção de arte já impressionava no trailers, mas no filme ficou ainda mais evidente a junção das texturas tribais com aparatos e vestimentas tecnologicamente avançados. As cores e traços são Jack Kirby puro. O criador do personagem está aplaudindo em pé o espetáculo visto na telona.

A trilha sonora foi assinada por Ludwig Göransson, com supervisão musical de Kendrick Lamar, um dos maiores rappers da atualidade, que deu um toque contemporâneo ao filme.

Pantera Negra não era somente o filme que Marvel precisava fazer, era o filme que todos precisávamos assistir. Todos mesmo, negros, brancos, asiáticos, indígenas, homens, mulheres e crianças. Entendo a importância do personagem pra toda comunidade negra, além da representatividade refletida no rosto de cada criança afro descendente ao ver aquele “homão da porra”, sendo mais que um herói, um líder. Mas, no final, a mensagem dele é universal, todos as pessoas erram, mas nunca é tarde pra corrigir seus erros, e se você o pensa que errar é o que mostra seu caráter, está redondamente errado, é como reage após um erro que reflete o herói dentro de você. Obrigado Marvel, me senti lendo uma das suas melhores histórias.

Se para os mais aficionados por HQs, Pantera Negra deveria ser mais um filme de super-herói nos cinemas, pra grande maioria de “civis”, ou até os nerds menos atentos, até pouco tempo atrás, Wakanda ainda era um lugar desconhecido ou pouco explorado. Muitas pessoas foram conhecer o herói apenas em Capitão América: Guerra Civil (2016). Aí, já se vê a dificuldade de adaptar a história de T'challa para um filme solo. Se não bastasse isso, a sua importância para as HQs é um legado de luta contra o preconceito, que abriu as portas pra tantos outros heróis negros, tanto na Marvel,…

Pantera Negra

Roteiro
Edição
CGI
Direção
Atuação
Fotografia
Direção de Arte

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