O legado de Carrie Fisher na Jedicon SP 2017

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A Jedicon é um evento que nós, fãs de Star Wars, esperamos ansiosamente. É o lugar onde podemos falar livremente e ver coisas da nossa saga amada, sem que alguém venha dizer que gosta das prequels, apenas porque o Hayden Christensen é gato. Onde a azaração é dizer que não gostamos de areia e todos tem (ou querem ter) um sabre de luz. Jedi, Siths ou Grey jedi, a Jedicon é meio como a nossa casa.

Esse foi o motivo pelo qual, tão logo saiu a programação do evento, eu aguardei ansiosamente para ver a homenagem que iam fazer à nossa querida Carrie Fisher. Afinal, essa seria a primeira após sua partida. Entendam, falar sobre a Carrie para mim é difícil porque a importância dela na minha vida (e de muitas outras mulheres) é difícil de pôr em palavras. Quando ela se foi, não se foi apenas a minha princesa preferida, mas um exemplo de força, de mulher, apesar de todos os problemas que ela viveu. Ela era a força da natureza que eu queria ser. E, como ela já havia dito: Leia é a Carrie e Carrie é a Leia. Uma não existe sem a outra.

Logo a princípio incomodou-me o fato de dois homens estarem escalados para apresentar o painel. Mas até o momento em que ele começou eu não sabia que aquilo me incomodaria tanto. Eles até falaram sobre esse fato logo no começo, reconhecendo que podia ser estranho dois homens falarem sobre ela, por não terem vivido tudo o que Carrie lutava contra. Eles não sabiam o que é ser julgado por sua aparência, ou sua conduta. Não sabem o que é ter que ser a melhor versão de si mesmo para conseguir seu espaço no mundo. Eles sabiam, humildemente, que seria estranho e foi.

Não, eu não estava ali para saber sobre os vícios de Carrie. Sobre a sua luta contra a bipolaridade. Sobre os seus fracassos. Tudo isso a gente está cansado de ler. Nós sabemos! Foi isso que tirou ela de nós! Eu queria uma homenagem, como foi prometido. Que mostrassem o lado de Carrie que nos encantou. Das batalhas que ela venceu. De sua luta, humor e sagacidade. De todas as vezes que deu sua cara a tapas falando e lutando pelo que acreditava. De repente eu estava ali escutando sobre as drogas a que ela foi apresentada, sobre o abandono de Eddie Fisher, sobre o romance mal fadado com Harrison Ford e de como ela ficava “chapada’ nos sets de filmagem. Apenas não! Aquilo não era uma homenagem à Carrie. Era apenas uma explanação de sua biografia, como se ela fosse mais uma atriz comum. Não a minha Carrie.

Entendo que o fato do painel ter começado com um grande atraso atrapalhou bastante e que foi corrido. Mas se eu fosse escolher entre falar sobre os problemas que todos sabem que ela tinha ou falar sobre tudo o que ela me trouxe (e a muitas outras mulheres) de bom, eu escolheria a segunda opção. Porque Carrie merece mais do que isso. Então, já que eu não escutei isso no painel da Jedicon, eu vou falar isso aqui.

Obrigada, Carrie Fisher, por me mostrar que por mais defeitos e problemas que tenhamos, a gente pode superá-los com bom humor. Obrigada por mostrar que podemos ser heroínas e salvar o dia. Que nossa felicidade não depende de nossa aparência, mas de quem nós somos. Muitas vezes, quando algo acontece e me deixa para baixo, eu me lembro de Leia. A mulher que perdeu seus pais, seu planeta, que foi presa pelo Império, e, depois, perdeu seu filho, seu marido, e foi abandonada pelo irmão (Ainda não te perdoei, Luke!). Cheia de perdas e tragédias pessoais, né? Assim como Carrie. No entanto, jamais perdeu sua honra, sua força, sua lealdade, sua empatia com as pessoas, e que tornou-se a nossa general. Assim como Carrie. Os pequenos erros do painel não me incomodaram. Mas era isso que eu queria ter escutado…

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