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A Maldição da Mansão Bly (Netflix) | Crítica

Depois do estrondoso sucesso de A Maldição da Residência Hill, Mike Flanagan tem mais uma aposta de sucesso do gênero na Netflix. A Maldição da Mansão Bly chega já com o desafio de igualar o sucesso de sua antecessora, e consolidar de vez a saga de Flanagan no topo das produções de terror.

Sem nenhuma ligação direta com a trama de Residência Hill, Mansão Bly se passa em Londres, no ano de 1987. A mansão é habitada por um casal de órfãos, uma governanta, um cozinheiro e a jardineira, até a chegada da nova babá na casa, vinda dos EUA após rigorosa entrevista com o tio das crianças.

Imagem: Reprodução/Netflix

A babá Dani (Victoria Pedretti) chega a casa se adaptando a realidade dos funcionários que ali habitam, e até mesmo com uma rotina um tanto quanto diferente, já que seu patrão não visita a residência normalmente, ficando toda a gestão a cargo dos contratados. A governanta Sra. Grose (T’Nia Miller) é aparentemente a funcionária a mais tempo na mansão, e é a que tem mais confiança das crianças, junto do cozinheiro Owen (Rahul Kohli). A jardineira Jamie (Amelia Eve) é a mais recatada e distante de todos, sempre de mal humor com o dia-a-dia das crianças.

Com uma educação totalmente reclusa na mansão, Flora (Amelie Bea Smith) e Miles (Benjamin Evan Ainsworth) são muito bem educados e se apresentam para a nova babá como dignos lordes ingleses, sejam pelas suas vestes assim como pelo seu comportamento. Conforme os dias passam, Dani cria uma intimidade com os dois, sabendo a fragilidade de cada um deles. Flora é muita apegada a uma grandiosa casa de bonecas de madeira, enquanto Miles tem comportamentos incomuns para sua idade.

Imagem: Reprodução/Netflix

Assim como em A Maldição da Residência Hill, em A Maldição Mansão Bly somos apresentado aos fatos ocorridos naquele local de forma solta, com fragmentos temporais apresentados ao longo dos nove episódios, aonde vamos montando em nossa cabeça o quebra-cabeça que motivou os temores dos atuais moradores. O terror e o medo são o segundo plano, numa história que vai muito além disso.

Em determinado ponto de Mansão Bly, eu até esqueci que estava assistindo uma obra de terror, e parecia que eu estava lendo uma obra de Agatha Christie em busca de entender o que estava acontecendo a cada nova revelação do passado daquela família e daquela casa. Não existem pontas soltas em Mansão Bly, e cada episódio vai costurando um novo fio para nos conectar juntos ao final encantador da obra. Um fio acaba sendo mais longo que o outro, um mais enrolado que o anterior, mas no final formam uma teia que pode ser colocada lado a lado com Residência Hill pela sua complexidade e relevância para o terror.

Imagem: Reprodução/Netflix

A trilha sonora da série se manteve a mesma de Residência Hill, e em minha opinião isso é um grande acerto, já que o fundo musical é um dos principais responsáveis por nos demonstrar momentos de emoção e revelação na série, através de uma trilha que já me marcou. As atuações são impecáveis, mas destaco mais uma vez a atuação mirim de Amelie Bea Smith e Benjamin Evan Ainsworth. Flora e Miles mostram que são muito além do que crianças bem comportadas, sabendo transparece sua importância no papel toda vez que exigidos.

É muito importante dizer que Mansão Bly foi uma das obras do entretenimento que melhor representou a construção de uma assombração e suas motivações, em minha opinião. Já vimos isso de diversas formas, das mais humorísticas as mais sanguinárias. Em Mansão Bly nenhum cemitério indígena foi necessário para justificar a maldição que assola aquele lugar, e tudo isso foi construído de forma esplendorosa, num episódio que pode servir como referência até mesmo solto da série como um todo.

Se você assistiu Residência Hill achando que veria uma história de terror dos níveis clichê que já estamos acostumados, recomendo nem começar a ver Mansão Bly. Agora, se já amou a série anterior, venha confiante em Mansão Bly que tenho a certeza que não vai se arrepender, por ver uma história muito maior do que qualquer terror que assistimos 5 vezes ao ano.

Mansão Bly cumpre o seu propósito e agrega demais ao catálogo de produções originais da Netflix. Assim, espero que eu, que você e que nós tenhamos ainda mais Mike Flanagan nos próximos anos.

Pontos Positivos
Manteve a obra de Mike Flanagan como destaque positivo dentro do terror na atualidade
Não precisou de jump scare para construir uma obra genial do terror
Trilha sonora se manteve impecável, envolvendo o espectador nos momentos de revelação
Elenco muito bem selecionado, principalmente a escolha dos órfãos
Pontos Negativos
Derrapa um pouco durante a temporada, demorando para evoluir na trama
9.5
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